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07/Jul/2026

Boi: cota chinesa deve reduzir exportação brasileira

Segundo a StoneX, a exportação brasileira de carne bovina deverá perder ritmo no segundo semestre de 2026, após registrar desempenho recorde na primeira metade do ano. A desaceleração é atribuída ao preenchimento antecipado da cota anual de importação da China, principal destino da proteína brasileira. Segundo a consultoria, 98,5% da cota chinesa já havia sido utilizada com os embarques realizados até junho. Com isso, os volumes destinados ao mercado chinês tendem a recuar significativamente, principalmente durante o terceiro trimestre. A expectativa é de retomada das exportações apenas no quarto trimestre, quando começará a vigorar a cota referente a 2027. Diante desse cenário, os frigoríficos brasileiros deverão ampliar a diversificação dos mercados de destino e direcionar uma parcela maior da produção ao mercado interno. O mecanismo de cotas antecipou embarques ainda no fim de 2025, uma vez que o transporte marítimo até a China leva entre 45 e 60 dias.

Para garantir espaço dentro do limite de importação de 2026, os frigoríficos aceleraram as vendas, contribuindo para que as exportações brasileiras alcançassem o recorde de 1,5 milhão de toneladas no primeiro semestre, volume 16% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O limite anual deverá ser efetivamente preenchido até agosto, considerando o intervalo entre o embarque e a internalização da carga na China. A partir de meados do terceiro trimestre, os principais fornecedores deverão reduzir significativamente os embarques ao mercado chinês. Embora Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda disponham de espaço em suas cotas, esses países enfrentam limitações de oferta, o que reduz a capacidade de compensar a menor participação brasileira. O esgotamento das cotas ocorre em um momento de oferta global restrita. A China permanece como o maior importador mundial de carne bovina e depende das compras externas para atender seu consumo.

Ao mesmo tempo, Brasil e Austrália, principais fornecedores do mercado chinês, já se aproximam do limite de suas cotas, enquanto Estados Unidos e Argentina enfrentam redução de rebanhos. Esse cenário pode intensificar a alta dos preços da carne bovina na China. As cotações já vêm apresentando valorização desde abril e tendem a permanecer pressionadas diante da menor disponibilidade de produto, com possibilidade de reflexos também sobre os mercados de outras proteínas. No mercado brasileiro, a expectativa é de maior disponibilidade de carne bovina. Como entre 60% e 65% da produção nacional é destinada ao consumo interno, parte do volume que deixará de ser exportado para a China deverá ser redirecionada ao mercado doméstico, além de buscar novos destinos internacionais. Ainda assim, a transição do ciclo pecuário, marcada pela redução do abate de fêmeas, deverá limitar a oferta de bovinos para abate no médio prazo, restringindo tanto a disponibilidade para exportação quanto para o mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.