ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

07/Jul/2026

Carnes: desempenho do setor exportador em 2026

Segundo o BTG Pactual, a exportação brasileira de carne bovina deve continuar como principal fator de sustentação do setor de proteína animal. O mercado externo permanece fortemente aquecido, com crescimento simultâneo de volumes e preços, enquanto o ciclo pecuário dos Estados Unidos segue pressionado e sem sinais de recuperação consistente. O desempenho do setor foi atribuído à menor disponibilidade global de bovinos e à antecipação de compras por importadores chineses, em meio ao avanço do preenchimento da cota de importação do país asiático. A China foi o principal destaque do trimestre, com aumento expressivo nos embarques e nos preços praticados. As exportações brasileiras de carne bovina para a China cresceram 38% na comparação com o trimestre anterior e 27% frente ao mesmo período de 2025, enquanto os preços avançaram 20% nas duas bases de comparação. O país asiático também pagou, em média, prêmio de cerca de 10% em relação aos demais destinos.

No segundo trimestre, as exportações totais de carne bovina somaram 794 mil toneladas, alta de 13,1% frente ao primeiro trimestre e de 13,2% na comparação anual. O preço médio atingiu US$ 6.433,00 por tonelada, avanço de 13,3% no trimestre e de 23,1% em um ano, elevando a receita em dólares em 28,2% na base trimestral e 39,4% na anual. Apesar do forte desempenho externo, a valorização do gado limitou parte da expansão da rentabilidade dos frigoríficos. Ainda assim, há indicação de acomodação recente nos preços da arroba, o que pode favorecer maior oferta no mercado doméstico no curto prazo. A expectativa do banco é de retomada dos preços entre outubro e novembro, período associado à formação de estoques para atendimento da próxima cota chinesa. Na avicultura, o principal fator positivo foi a recuperação dos preços de exportação, com alta de 6% em junho e de 5% no trimestre, sustentada por mercados como China, Oriente Médio e México.

Os spreads de exportação avançaram 10% no mês, embora a valorização do real tenha reduzido parte desse ganho. No mercado interno, a fraqueza dos preços pressionou as margens, que permanecem abaixo dos níveis registrados no ano anterior. Na suinocultura, houve deterioração mais acentuada, com queda contínua dos preços e recuo de 16% nos spreads domésticos no trimestre e de 22% na comparação anual. A expansão da produção deve manter pressão sobre preços e margens nos próximos meses. No cenário internacional, o ciclo pecuário dos Estados Unidos segue sem sinal de inflexão, com custos elevados do gado comprimindo as margens da indústria de carne bovina. Na avicultura norte-americana, apesar de alguma recuperação recente, as margens permanecem significativamente abaixo das observadas há um ano, em função do aumento da oferta e da pressão sobre preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.