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03/Jul/2026

Boi: fim da cota à China pode pressionar os preços

Segundo o Itaú BBA, o esgotamento da cota chinesa de importação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira poderá pressionar os preços do boi gordo por um período de até três meses. A expectativa é de que o limite seja integralmente utilizado entre julho e agosto, reduzindo a competitividade da carne brasileira no mercado chinês e ampliando a disponibilidade de produto no mercado interno. A China aplica tarifa de 55% sobre os volumes importados acima da cota, o que tende a restringir os embarques brasileiros após o preenchimento do limite estabelecido. Mantido esse cenário, o Itaú BBA projeta retração próxima de 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026. Os efeitos da limitação já começam a ser percebidos no mercado, com frigoríficos mais dependentes das vendas para a China adotando férias coletivas em algumas unidades. A menor demanda por animais para exportação tende a reduzir a intensidade das compras de boi gordo e aumentar a pressão sobre as cotações.

Embora outros mercados permaneçam aquecidos, como Estados Unidos, Chile e países árabes, esses destinos não possuem capacidade para absorver integralmente as cerca de 400 mil toneladas que deixarão de ser embarcadas para a China. Como consequência, parte desse volume deverá permanecer no mercado doméstico, ampliando a oferta de carne bovina. A oferta de bovinos para abate também deverá continuar elevada. As margens do confinamento permanecem positivas, sustentadas pelo menor custo da ração e pelas oportunidades de proteção de preços no mercado futuro. Durante o primeiro semestre, os contratos futuros de boi gordo com vencimento em setembro chegaram a oferecer oportunidades de fixação acima de R$ 345,00 por arroba, patamar considerado atrativo para os confinadores. A partir de outubro, os frigoríficos habilitados poderão retomar as compras de bovinos destinados aos embarques para a China programados para janeiro de 2027, quando ocorre a renovação da cota anual de importação.

Entretanto, uma eventual revisão antecipada da política chinesa é considerada incerta. Os preços da carne bovina na China permanecem relativamente estáveis desde o início do ano, enquanto a carne suína, principal proteína consumida no país, segue negociada nos menores níveis dos últimos dez anos. Esse cenário reduz a probabilidade de mudanças rápidas na política de importações em razão de pressões inflacionárias sobre os alimentos. Em relação aos Estados Unidos, a projeção é de aumento das importações de carne bovina brasileira na comparação com o ano anterior, porém em volume insuficiente para compensar a possível redução das compras chinesas. Enquanto a China adquire aproximadamente 180 mil a 200 mil toneladas de carne bovina brasileira por mês, as importações norte-americanas permanecem abaixo de 50 mil toneladas mensais, limitando seu potencial de absorção da oferta adicional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.