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03/Jul/2026

Boi: alta do bezerro sinaliza novo ciclo pecuário

Segundo o Itaú BBA, a retenção de fêmeas na pecuária brasileira ainda não aparece de forma consistente nos dados oficiais, mas a valorização do bezerro e a melhora das margens da atividade de cria indicam que a mudança do ciclo pecuário deverá ganhar força nos próximos meses. Os dados de abates sob inspeção federal já apresentam sinais iniciais de retenção de matrizes. Entretanto, os números consolidados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que incluem os abates sob inspeções federal, estadual e municipal, ainda mostram comportamento diferente. No primeiro trimestre de 2026, o volume de fêmeas abatidas permaneceu acima do registrado no mesmo período do ano anterior, mesmo após anos consecutivos de elevado descarte.

Dois fatores que ajudam a explicar a demora na inversão do ciclo pecuário. O primeiro é o avanço tecnológico da atividade, com melhorias em fertilidade, genética, nutrição e eficiência dos sistemas de produção, permitindo maior oferta de bovinos, inclusive fêmeas jovens, sem comprometer o tamanho do rebanho. O segundo fator é a necessidade de geração de caixa por parte de muitos produtores, especialmente aqueles que também atuam na produção de grãos, levando à manutenção dos abates de fêmeas mesmo em um ambiente favorável à retenção. Apesar desse cenário, a valorização do bezerro representa um importante indicativo da mudança de ciclo, ao elevar a rentabilidade da atividade de cria e aumentar os incentivos econômicos para retenção de matrizes.

O preço do bezerro, considerando a referência de Mato Grosso do Sul, acumulou valorização de 50% entre 2025 e junho de 2026. Em ciclos anteriores, a alta foi de 96% entre 2020 e 2021 e de 59% entre 2014 e 2015. A diferença, segundo a instituição, é que aqueles movimentos ocorreram em fases mais avançadas da retenção de fêmeas, enquanto o atual processo ainda está em estágio inicial. Para 2026, o banco não projeta restrições relevantes na oferta de bovinos para abate. A ampla disponibilidade de milho, a perspectiva de resultados positivos para o confinamento e os ganhos tecnológicos da pecuária deverão sustentar a produção. Nesse contexto, a expectativa é de crescimento de 1% na produção brasileira de carne bovina, alcançando 11,214 milhões de toneladas.

Para 2027, contudo, o cenário torna-se mais favorável à valorização do boi gordo. O Itaú BBA projeta redução da produção brasileira de carne bovina em razão do avanço da retenção de fêmeas, em um ambiente de oferta global ainda restrita, o que tende a favorecer preços mais firmes. A fase atual do ciclo beneficia principalmente os produtores especializados na cria. Nas etapas de recria e engorda, ainda há possibilidade de obtenção de margens positivas, embora o aumento dos preços da reposição eleve gradualmente os riscos da atividade. Para os confinadores, a gestão de risco permanece fundamental, especialmente diante da forte dependência da demanda chinesa e da elevada disponibilidade de animais para abate no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.