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03/Jul/2026

Frango: oferta elevada limita alta de preços em 2026

Segundo o Itaú BBA, a elevada oferta de carne de frango deverá manter os preços da proteína em patamar historicamente baixo em relação à carne bovina ao longo de 2026. O cenário é resultado da expansão da produção, favorecida pelo menor custo da ração e pelo forte desempenho das exportações, fatores que estimularam o aumento da oferta mesmo em um ambiente de preços domésticos pressionados. A estimativa é de crescimento de 4% na produção brasileira de carne de frango em 2026. As exportações deverão avançar aproximadamente 9%, impulsionadas também por uma base de comparação mais baixa, uma vez que os embarques realizados entre maio e agosto de 2025 foram afetados pelos impactos da gripe aviária sobre o comércio internacional. O banco projeta ainda um novo recorde de consumo per capita da proteína no mercado brasileiro.

O setor conseguiu compensar a redução das vendas para o Oriente Médio, região que representa cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, por meio do redirecionamento de embarques para o Japão e outros mercados asiáticos. Essa diversificação dos destinos contribuiu para manter o ritmo das exportações, mesmo diante da maior disponibilidade de produto. Apesar da pressão sobre os preços internos, as margens da atividade permanecem preservadas. Segundo a consultoria, o diferencial entre o preço do frango abatido no estado de São Paulo e o custo de produção da avicultura permaneceu próximo de 35% em junho, nível alinhado à média histórica dos últimos 20 anos. Para o segundo semestre, existe potencial de recuperação parcial das cotações, apoiada pela continuidade das exportações em ritmo elevado e pelo fortalecimento sazonal da demanda no final do ano. O principal fator de risco para a atividade continua sendo a biosseguridade.

A manutenção do desempenho das exportações depende da preservação do status sanitário da avicultura brasileira. A ampla diversificação dos embarques, distribuídos para cerca de 150 mercados, reduz a dependência de compradores específicos e limita os impactos de eventuais restrições comerciais. Ainda assim, episódios sanitários isolados, como os registrados em 2025, podem provocar suspensões temporárias das importações por mercados relevantes, incluindo China e União Europeia, retardando a normalização dos fluxos comerciais. Em relação aos custos, o cenário permanece favorável no curto prazo em razão da ampla disponibilidade de milho para ração. Entretanto, os possíveis impactos do El Niño sobre a 2ª safra de milho em 2027 permanecem como fator de atenção para o próximo ciclo produtivo. Mesmo com perspectivas de novos recordes de produção, consumo e exportações, a recomendação é de cautela diante do elevado volume de oferta disponível no mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.