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03/Jul/2026

Suíno: margens negativas exigem ajuste da oferta

Segundo o Itaú BBA, a suinocultura brasileira voltou a registrar margens negativas desde o fim do primeiro trimestre de 2026, encerrando um ciclo de três anos de rentabilidade positiva, sendo os dois últimos especialmente favoráveis. A deterioração dos resultados difere da crise observada em 2022 por não estar relacionada ao aumento dos custos com ração, mas sim ao excesso de oferta de suínos e à dificuldade de absorção da produção pelo mercado. A média móvel dos abates dos últimos 12 meses apresentou crescimento de aproximadamente 5% em março, refletindo a expansão da produção após um período prolongado de margens elevadas. No primeiro trimestre de 2026, os abates avançaram 5,5%, enquanto a produção de carne suína aumentou 2,6%.

O crescimento mais moderado da produção decorre da redução do peso médio das carcaças, indicando antecipação dos abates diante da queda dos preços. Embora o mercado interno não apresente excesso de oferta significativamente superior ao do ano anterior, observa-se redução na capacidade de absorção ao longo da cadeia produtiva. Nesse contexto, será necessário um ajuste da oferta para restabelecer o equilíbrio do mercado, uma vez que a pressão sobre a rentabilidade ocorre mesmo em um cenário de custos de alimentação relativamente favoráveis. As exportações continuam sendo o principal fator de sustentação do setor. No primeiro semestre de 2026, os embarques cresceram cerca de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, após avanço de 15% no primeiro trimestre.

As Filipinas lideraram o aumento das compras, com crescimento de 50%, passando a responder por 26% das exportações brasileiras de carne suína in natura. O Japão registrou expansão de 40%, alcançando participação de 10% nos embarques. Em sentido contrário, a China reduziu suas importações em 37%, mantendo participação próxima de 10% nas exportações brasileiras. Apesar da evolução dos volumes exportados, os preços internacionais permanecem limitados. O valor médio da carne suína exportada permanece entre US$ 2.000,00 e US$ 2.500,00 por tonelada há aproximadamente seis anos e meio, com variação inferior a US$ 50,00 por tonelada nos últimos dois anos, restringindo o ganho de rentabilidade nas vendas externas. O mercado chinês também representa um fator adicional de pressão para o setor.

Os preços da carne suína no país permanecem nos menores níveis dos últimos dez anos, reduzindo a rentabilidade dos produtores locais e estimulando o descarte de matrizes. Esse movimento contribui para manter elevada a oferta global da proteína e limita a recuperação das cotações internacionais. Para o restante de 2026, a projeção é de novos recordes de produção e de exportação, acompanhados por uma recuperação moderada do consumo doméstico. Ainda assim, a expectativa é de continuidade da pressão sobre os resultados financeiros, especialmente entre os produtores independentes. O principal fator de risco para o próximo ciclo permanece sendo o possível impacto do El Niño sobre a 2ª safra de milho em 2027. Eventual aumento dos custos da ração poderá agravar a situação financeira do setor, que já opera com margens negativas e reduzida capacidade de absorver novas pressões de custos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.