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02/Jul/2026

Boi: preço se manteve firme no 1º semestre 2026

O ritmo das negociações no mercado pecuário ao longo do primeiro semestre de 2026 foi influenciado pela baixa oferta de boi gordo pronto para abate, pela valorização do bezerro, pela elevada participação das fêmeas nos abates (o que limita a disponibilidade futura de animais terminados) e pela forte demanda internacional pela carne bovina brasileira, especialmente pela China. Esse conjunto de fatores sustentou as cotações em todos os segmentos da cadeia pecuária no primeiro semestre deste ano. Em junho, o preço médio do boi gordo em São Paulo registrou média à vista de R$ 347,59 por arroba, valor 4,6% superior à registrada em janeiro deste ano, de R$ 332,14 por arroba, em termos reais (IGP-DI de maio/26). Ao longo do primeiro semestre, o maior preço pago pelo boi gordo no estado de São Paulo foi observado em abril, quando atingiu média real de R$ 365,93 por arroba, reflexo da virada de safra para entressafra.

Considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em 1997, observa-se que, na maior parte dos anos, os preços da arroba apresentam recuo entre janeiro e junho, em decorrência da sazonalidade da produção pecuária nacional e da maior disponibilidade de animais para abate nesse período, diferente do que foi verificado neste ano. As desvalorizações mais expressivas no primeiro semestre ocorreram em 2024, 2022, 2018 e 2017, com quedas de 12,8%, 11,1%, 10% e 10,6%, respectivamente. Esses movimentos refletiram principalmente o aumento da oferta de bovinos, influenciado pelas diferentes fases do ciclo pecuário e pela recuperação da produtividade do rebanho. Além disso, fatores como maior participação de fêmeas nos abates, oscilações da demanda interna e externa, condições climáticas, variações cambiais e eventos específicos de mercado também contribuíram para intensificar a pressão sobre as cotações.

Por outro lado, a série histórica também registra anos em que houve valorização da arroba entre janeiro e junho, como em 2007, 2008, 2010, 2014, 2020 e 2026, com altas de 6,1%, 15,6%, 4%, 4,8%, 4% e 4,6%, respectivamente. Em comum, esses períodos foram marcados pela menor oferta de animais para abate, consequência da retenção de matrizes e da redução da disponibilidade de bovinos terminados, características do ciclo pecuário. O fortalecimento das exportações, aliado ao câmbio favorável e à recuperação do consumo interno em alguns desses anos, também contribuiu para sustentar os preços. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.