02/Jul/2026
A Danone renovou sua estratégia de sustentabilidade para a cadeia global de leite com metas até 2030, buscando ampliar a oferta de proteína láctea sem elevar as emissões de metano da pecuária. No Brasil, o programa Jornada Flora, voltado à agricultura regenerativa, já recebeu R$ 10 milhões em investimentos e contribuiu para reduzir em 43% o fator de emissão de metano da empresa desde 2020, resultado superior à redução média registrada globalmente pela companhia. A iniciativa ocorre em um cenário de crescimento da demanda por proteínas do leite. No mercado internacional, o preço do concentrado de whey protein com 80% de teor proteico (WPC 80) mais que dobrou no último ano na União Europeia, alcançando cerca de 22 mil euros por tonelada. No Brasil, o consumo de alimentos concentrados em proteína aumentou 11,4% em dezembro de 2025 na comparação anual, refletindo a expansão do mercado de nutrição funcional.
Esse movimento tem sido impulsionado pela maior procura por produtos ricos em proteínas e, potencialmente, pelo avanço do uso de medicamentos à base de GLP-1 para controle de peso, que elevam a demanda por suplementação proteica. Nesse contexto, a Danone vem ampliando sua atuação no segmento de alimentação funcional, incluindo a aquisição do Made Group, empresa australiana especializada em bebidas proteicas e iogurtes funcionais, que registrou vendas superiores a 300 milhões de euros no ano fiscal encerrado em junho de 2026. No mercado brasileiro, a companhia informou que a linha de bebidas proteicas YoPRO mantém crescimento de dois dígitos nos últimos meses, impulsionada pela maior busca dos consumidores por alimentos com elevado teor de proteína e benefícios nutricionais. Apesar disso, a empresa ressalta que ainda não há dados suficientes para estabelecer uma relação direta entre esse desempenho e a popularização dos medicamentos à base de GLP-1.
O avanço da demanda por proteína ocorre em um momento em que o setor busca elevar a produtividade sem ampliar as emissões de gases de efeito estufa. Dados do Observatório do Clima mostram que as emissões brasileiras de metano cresceram 6% entre 2020 e 2023, sendo que, em 2023, 68,7% das 21,1 milhões de toneladas emitidas tiveram origem na fermentação entérica de bovinos. Ao mesmo tempo, a produção nacional de leite segue em expansão. Segundo o IBGE, os laticínios sob inspeção sanitária captaram 27,51 bilhões de litros de leite em 2025, alta de 8,5% em relação ao ano anterior e novo recorde para a série. No Brasil, a estratégia da Danone está baseada na adoção de práticas de agricultura regenerativa, bem-estar animal, eficiência produtiva e redução de emissões junto aos fornecedores. A empresa trabalha com uma rede de mais de 200 pequenos produtores rurais, responsáveis por aproximadamente 500 mil litros de leite por dia, dos quais 148 já participam da Jornada Flora.
Como parte das metas de longo prazo, a companhia pretende alcançar, até 2030, participação de 45% de ingredientes-chave provenientes de sistemas de agricultura regenerativa, além de avançar na estratégia de descarbonização para atingir emissões líquidas zero até 2050. Atualmente, a empresa informa redução de 50% no fator de emissão de dióxido de carbono (CO₂) em suas operações. A companhia também utiliza instrumentos financeiros para estimular a adoção de práticas sustentáveis. Em parceria com o Banco do Brasil, mantém um programa de crédito destinado a produtores que atendem critérios técnicos, socioambientais e de qualidade. Segundo dados internos da empresa, cada R$ 100 investidos pelos produtores geram retorno médio de aproximadamente R$ 116 em até um ano, fortalecendo a adoção de tecnologias e práticas voltadas à sustentabilidade da cadeia leiteira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.