30/Jun/2026
O mercado de carne bovina dos Estados Unidos passa por uma mudança estrutural associada à redução do rebanho de matrizes e à reconfiguração da demanda interna, cenário que pode abrir espaço para o aumento das exportações brasileiras de carne magra. A combinação entre menor oferta de animais e manutenção do consumo, especialmente de carne moída, tem alterado a dinâmica de preços e a composição da demanda no país. Os Estados Unidos registram redução significativa do rebanho de fêmeas destinadas à reprodução, que passou de cerca de 45 milhões de cabeças no pico da década de 1970 para 27,6 milhões em janeiro de 2026, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Apesar da queda no rebanho, a produção total de carne bovina não recuou na mesma proporção, sustentada por ganhos de produtividade e avanços em melhoramento genético. O sistema de classificação de carne do USDA divide o produto em três categorias principais, com destaque para Prime, Choice e Select.
A produção de carne Prime, de maior qualidade e maior grau de marmoreio, segue em expansão, representando mais de 14% do total abatido, mesmo em um contexto de menor disponibilidade de animais. O segmento registrou aumento de 3% em abates destinados a esse padrão em 2026. Ao mesmo tempo, o mercado norte-americano enfrenta escassez relativa de carne com menor teor de gordura, especialmente na categoria Select, mais magra e de menor custo. Em um cenário inédito, o diferencial de preços entre as categorias Choice e Select passou por inversão, refletindo a limitação de oferta de carne mais acessível. A carne moída representa cerca de 48% do consumo total de carne bovina nos Estados Unidos, o que reforça a importância de cortes mais magros na composição final dos produtos consumidos no país. Nesse contexto, o Brasil se mantém como fornecedor relevante de carne magra, utilizada na composição de blends com carne mais gordurosa de origem local, especialmente na produção de hambúrgueres.
O consumo per capita de carne bovina apresenta leve queda, mas o consumo de carne moída permanece estável ou em crescimento, sustentando a demanda por produtos com perfil mais magro. Tendências de consumo associadas à saúde, incluindo o uso crescente de medicamentos que reduzem o apetite, também contribuem para a valorização de cortes com menor teor de gordura. A dinâmica do mercado norte-americano reforça a interdependência com fornecedores externos, com destaque para o Brasil no fornecimento de carne magra. Ao mesmo tempo, a cadeia global de proteína bovina passa por maior competição, com países como México avançando na agregação de valor por meio da exportação de carne processada, em substituição à venda de bovinos vivos. No cenário internacional, outros polos produtores também ganham relevância, como a Mongólia, que possui grande rebanho e vantagens logísticas em relação ao mercado chinês, o que pode influenciar a concorrência global no médio e longo prazo. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.