29/Jun/2026
Segundo a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a piscicultura brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com aumento no consumo interno de peixes cultivados, impulsionado especialmente pela demanda sazonal da Quaresma. O desempenho reflete a consolidação do pescado como fonte de proteína animal no mercado doméstico. A tilápia, responsável por cerca de 70% da produção aquícola nacional, manteve-se como o principal peixe de cultivo consumido no País no período. Entre as espécies nativas, o tambaqui permaneceu entre as principais preferências do consumidor. Apesar da evolução no mercado interno, o setor mantém perspectiva mais cautelosa para o comércio exterior. A Peixe BR aponta que alterações nas tarifas de importação não resultaram no avanço esperado das exportações, uma vez que ajustes recentes foram aplicados de forma ampla entre concorrentes internacionais.
Com a elevação da tarifa para 25%, o setor aguarda definições das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos para avaliar possíveis efeitos sobre os embarques no segundo semestre. No campo regulatório, a cadeia produtiva monitora discussões que envolvem a inclusão do tambaqui na lista federal de espécies ameaçadas de extinção, o que poderia dificultar a abertura de novos mercados internacionais para o pescado cultivado. Também é acompanhada a proposta em análise na Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e no Ministério do Meio Ambiente que trata da classificação da tilápia como espécie exótica invasora, medida considerada pelo setor como potencial restrição à expansão da produção e às exportações.
Outro ponto de atenção é a autorização para importação de tilápia do Vietnã. A associação afirma que o produto chega ao mercado brasileiro com preços inferiores aos custos de produção doméstica, atribuindo essa diferença a políticas de incentivo no país exportador, além de levantar preocupações relacionadas a aspectos sanitários. Para o segundo semestre, a expectativa da entidade é de continuidade do crescimento do consumo interno, sustentado pelo aumento das temperaturas em regiões do Sul e Sudeste. Ao mesmo tempo, o setor projeta possível recuperação das exportações, condicionada à maior estabilidade regulatória e comercial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.