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29/Jun/2026

Lácteos: Danone amplia a aposta em leite e ESG

A Danone tem acelerado sua estratégia global de crescimento combinando aquisições no segmento de nutrição, expansão do portfólio de proteínas e reforço de metas ambientais, com o leite ocupando posição central em sua cadeia produtiva. A companhia vem direcionando investimentos bilionários para empresas ligadas à saúde intestinal, nutrição funcional e proteínas, ao mesmo tempo em que estrutura novas metas de sustentabilidade até 2030. Entre os movimentos recentes estão aquisições e investimentos em empresas como Akkermansia, Kate Farms, Huel e Made Group, além da criação de centros de pesquisa voltados ao microbioma e à alimentação funcional. O conjunto dessas iniciativas reforça a estratégia de crescimento em saúde, bem-estar e proteínas, com foco na expansão global desse mercado. No Brasil, a empresa afirma que a agricultura é o principal vetor de descarbonização de sua cadeia, com a produção leiteira assumindo papel estratégico.

A Danone informa que mais de 60% do leite utilizado no país já é proveniente de propriedades inseridas em práticas de agricultura regenerativa, com redução relevante de emissões de CO₂ e metano entre 2020 e 2025, acima das metas globais estabelecidas. A companhia estabeleceu como objetivo que, até 2030, cerca de 45% dos principais ingredientes estratégicos sejam oriundos de fazendas envolvidas em agricultura regenerativa. Além disso, projeta avanços em eficiência hídrica, redução de açúcar em produtos destinados ao público adulto, uso de embalagens recicladas e diminuição de desperdícios ao longo da cadeia produtiva. O crescimento da demanda por proteínas, impulsionado inclusive pelo uso de medicamentos da classe GLP-1, é citado como um dos fatores estruturais que reforçam a estratégia da empresa.

O aumento do consumo de proteínas é associado à necessidade de reposição de massa muscular, o que amplia o potencial de mercado para produtos lácteos e funcionais. No Brasil, a operação industrial também está sendo ajustada para essa tendência, com a unidade de Poços de Caldas (MG) adaptada para ampliar a produção de itens proteicos. A fábrica, com capacidade de cerca de 30 mil toneladas por mês, operava com ociosidade e deve ampliar a produção de categorias de maior valor agregado, como produtos ricos em proteína. A base de fornecimento da Danone no País envolve cerca de 230 produtores rurais, com predominância de pequenos produtores. O modelo adotado pela empresa prioriza aumento de produtividade em vez de expansão da área produtiva, com uso de tecnologias de manejo, nutrição e conforto animal para elevar a eficiência das propriedades.

Programas internos de sustentabilidade, como a Jornada Flora, integram ações de transferência de tecnologia, centralização de compras de insumos, apoio ao acesso a crédito rural e contratos de fornecimento com maior previsibilidade. Essas iniciativas permitem redução de custos, ampliação de produtividade e maior integração entre indústria e produtores. A empresa também estruturou parcerias financeiras para facilitar crédito aos fornecedores, com linhas específicas vinculadas a contratos de fornecimento de leite, que passaram de R$ 25 milhões em 2023 para R$ 100 milhões em 2025, reforçando o uso de mecanismos financeiros como suporte à modernização das fazendas. O avanço da agricultura regenerativa é tratado como elemento central da estratégia da companhia, combinando redução de emissões, aumento de renda dos produtores e melhoria de eficiência produtiva. O modelo também incorpora indicadores sociais e operacionais, como sucessão familiar e acesso à tecnologia, ampliando o escopo da sustentabilidade para além das práticas ambientais. Fonte: AgFeed. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.