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24/Jun/2026

Boi: confinadores propõem segregação para atender UE

A Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), entidade que representa produtores da fase de terminação intensiva de bovinos em confinamento, defende a adoção de protocolos de segregação como alternativa para atendimento às exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. A entidade se posiciona contra a proibição ampla desses insumos na produção nacional como condição para acesso ao mercado europeu. A imposição de restrições generalizadas para atender a um único destino de exportação pode reduzir a competitividade da pecuária brasileira. A avaliação é de que os mercados importadores deveriam estabelecer suas próprias exigências, sem impacto sobre toda a cadeia produtiva doméstica, permitindo que produtores optem por atender ou não determinados padrões. A entidade defende um modelo de segregação produtiva, no qual propriedades interessadas em exportar para a União Europeia adotariam protocolos específicos de produção, enquanto os demais produtores manteriam acesso a outros mercados internacionais. O modelo é comparado a práticas adotadas em países como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, que operam com sistemas de segmentação de produção voltados a diferentes exigências de mercado.

No sistema de confinamento, os antimicrobianos são utilizados tanto no tratamento e prevenção de doenças quanto como melhoradores de desempenho produtivo, incluindo substâncias como ionóforos, entre elas monensina sódica e lasalocida, que atuam na modulação da fermentação ruminal. Esses insumos contribuem para maior eficiência alimentar, redução de consumo de ração por ganho de peso e mitigação de distúrbios metabólicos, como acidose. A Assocon avalia que a restrição ao uso desses produtos pode elevar custos de produção, ao exigir maior volume de alimentação para o mesmo desempenho animal, além de potencialmente aumentar o tempo de ciclo produtivo nos confinamentos. A discussão ocorre após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países reconhecidos como aptos a cumprir integralmente as novas regras do bloco sobre antimicrobianos. A partir de 3 de setembro, carnes bovina, suína e de aves, além de outros produtos de origem animal, poderão enfrentar restrições de acesso ao mercado europeu caso não sejam apresentadas garantias adicionais de conformidade regulatória.

O impacto potencial está associado a um fluxo estimado em US$ 1,8 bilhão por ano em exportações brasileiras para o bloco. Embora cerca de 1,2 mil propriedades estejam habilitadas a exportar carne bovina para a União Europeia, o mercado é considerado estratégico por sua remuneração mais elevada em cortes específicos. A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou melhoradores de desempenho, além de restringir substâncias destinadas exclusivamente à medicina humana. Para adequação às normas, o Ministério da Agricultura já proibiu o uso de cinco substâncias na produção animal, incluindo virginiamicina, avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco e bacitracina metileno disalicilato. O principal ponto de divergência entre o setor produtivo e o bloco europeu envolve as exigências de comprovação de ausência de contato dos animais com essas substâncias ao longo de todo o ciclo produtivo, o que amplia a necessidade de sistemas robustos de rastreabilidade.

A ausência de rastreabilidade individual consolidada no Brasil é um dos principais entraves para o atendimento dessas exigências. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos prevê implantação gradual até 2032, mas o setor considera o cronograma insuficiente diante das exigências internacionais. Outros grandes exportadores já utilizam modelos de segregação para atender diferentes mercados, enquanto destinos como China e países do Oriente Médio aceitam o uso de antimicrobianos dentro de limites regulatórios e períodos de carência estabelecidos. Apesar das críticas, o setor reconhece que o processo de adaptação já está em curso, com busca por alternativas nutricionais, sanitárias e de manejo para adequação às exigências internacionais. A discussão sobre restrições ao uso de antimicrobianos é tratada como antiga pelo setor, sem avanços estruturais consolidados na implementação de protocolos de segregação no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.