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22/Jun/2026

Boi: diversificação reduz impactos da cota chinesa

O iminente esgotamento da cota chinesa para importação de carne bovina brasileira deve provocar ajustes nos fluxos comerciais do setor nos próximos meses. Entretanto, os impactos tendem a ser distintos entre os frigoríficos, com JBS e Minerva apresentando maior capacidade de adaptação em razão da diversificação geográfica de suas operações e da possibilidade de ampliar vendas para os Estados Unidos. A Minerva é apontada como uma das empresas com maior exposição ao mercado chinês, mas também entre as mais protegidas. Entre 8% e 9% da receita consolidada da companhia está vinculada às exportações de carne bovina brasileira destinadas à China. Para mitigar os efeitos das restrições, a empresa poderá redirecionar clientes para unidades localizadas na Argentina, Uruguai e Colômbia, países que dispõem de espaço em suas próprias cotas ou não estão sujeitos às mesmas limitações comerciais.

A JBS também surge em posição favorável diante do cenário. Apesar da relevância da operação brasileira de carne bovina para o mercado chinês, a companhia conta com uma plataforma global que reduz sua dependência de um único destino. Além disso, a expectativa de aumento das importações de carne bovina pelos Estados Unidos, em razão da redução do rebanho local, pode beneficiar a empresa. JBS e Minerva respondem por aproximadamente 70% das exportações brasileiras de carne bovina destinadas ao mercado norte-americano entre as plantas habilitadas. A Marfrig BRF (MBRF), por sua vez, deverá enfrentar efeitos mais limitados. Os embarques de carne bovina brasileira para China e Hong Kong representam cerca de 4% da receita consolidada da companhia. A empresa já interrompeu temporariamente esses embarques para evitar a incidência das tarifas adicionais e tem direcionado os volumes para outros mercados. No entanto, sua exposição mais restrita ao mercado norte-americano reduz o potencial de captura dos prêmios associados à escassez de oferta nos Estados Unidos.

A estimativa é de que aproximadamente 70% da cota anual chinesa para carne bovina brasileira, estimada em cerca de 1,1 milhão de toneladas, já havia sido utilizada até abril. Mantido o ritmo atual, o limite deverá ser atingido em agosto. Após o esgotamento da cota, a tarifa de importação sobe de 12% para 67%, comprometendo significativamente a competitividade do produto brasileiro. Considerando que o desembaraço das cargas na China pode levar entre 50 e 60 dias, os embarques destinados ao mercado chinês já deveriam ser interrompidos a partir de meados de junho para evitar a chegada dos produtos fora da cota. Além da reorganização dos fluxos de exportação, a menor demanda da China pode reduzir a pressão sobre os preços do boi gordo no mercado doméstico. A expectativa é de acomodação, atualmente próxima de R$ 350,00 por arroba para uma faixa entre R$ 310,00 e R$ 315,00 por arroba durante parte do terceiro trimestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.