22/Jun/2026
A JBS, líder global do mercado de carne bovina e que tem 18 das suas 34 plantas de bovinos no Brasil habilitadas para a China, interrompeu a produção de cortes específicos no sábado (20/o6). Segundo a Friboi, uma das marcas da companhia, as operações agora serão concentradas nos embarques para não correr risco de as cargas chegarem ao destino fora da cota. Nos cálculos da indústria nacional, as exportações são seguras até o fim deste mês, sem risco de extrapolar a cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Os dados consolidados pelo governo chinês mostram que o Brasil já ocupou mais de 50% do volume autorizado em 9 de maio.
Como há uma grande quantidade de cargas em trânsito, já que foram exportadas quase 154 mil toneladas no mês passado, frigoríficos e importadores estão cautelosos nos negócios. Hoje a taxa é 12% dentro da cota, fora da cota são mais 55%, vai para 67%, o que inviabiliza. No início de junho, algumas unidades habilitadas para a China já haviam reduzido o ritmo de abates e produção de cortes específicos para o mercado chinês. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a estratégia de adaptação ao iminente preenchimento da cota depende de cada empresa, a depender da maior ou menor dependência do mercado chinês.
A JBS não vê impacto de volume, já o preço é o mercado que vai ditar. A indústria não vê possibilidades de ampliação da cota brasileira em 2026, mas o setor e o governo apresentaram à China pedidos para que volumes eventualmente não preenchidos por outros países exportadores (a cota de todos os fornecedores é de 2,6 milhões de toneladas) seja redistribuído ao Brasil. O ministro da Agricultura, André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Na quinta-feira (18/06), o governo chinês informou que a Austrália atingiu 100% da cota de 205 mil toneladas. Desde sábado (20/06), as cargas australianas que chegarem aos portos chineses serão sobretaxadas em 55%.
Se os desafios se acumulam para as exportações de carne bovina, o mercado interno tem dado a resposta esperada pela JBS. A campanha promocional da Copa do Mundo de futebol da Fifa surtiu efeito. Na primeira semana do torneio, as vendas bateram recorde. A campanha inclui produtos Seara e Maturatta, marcas da JBS. Os horários dos jogos, a maioria deles noturnos, favoreceram a alta no consumo, pois a maioria das pessoas já está em casa. O impacto tem sido positivo. O uso das canetas emagrecemos também tem influenciado o consumo de carne no País. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.