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22/Jun/2026

Carnes: setor confia em retomada das vendas à UE

A indústria brasileira de carnes avalia que ainda há possibilidade de o Brasil reverter a decisão da União Europeia (UE) que prevê, a partir de 3 de setembro, a suspensão das importações de carnes bovina, suína e de aves, além de outros produtos de origem animal. A expectativa do setor é que o governo brasileiro consiga atender às exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos e recuperar a habilitação para exportar ao bloco europeu. Segundo representantes da cadeia exportadora, o principal caminho para a reversão da medida passa pela apresentação de protocolos adicionais de rastreabilidade e segregação dos animais destinados ao mercado europeu. O objetivo é demonstrar conformidade com as novas regras da UE, que exigem comprovação de que os animais não receberam antimicrobianos proibidos em qualquer fase do ciclo produtivo. A indústria acompanha as negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura junto às autoridades europeias e considera que existe espaço para uma solução técnica e diplomática antes da entrada em vigor das restrições.

A avaliação é de que a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar seria seguida por um período de transição para adaptação plena às novas exigências regulatórias. Embora apenas cerca de 1,2 mil propriedades estejam habilitadas a fornecer carne bovina para a União Europeia, em um rebanho nacional próximo de 200 milhões de cabeças, o mercado europeu possui elevada relevância econômica. As exportações brasileiras de carnes bovina e de frango para o bloco movimentam aproximadamente US$ 2 bilhões por ano, com predominância de cortes de maior valor agregado. O setor reconhece que uma eventual interrupção dos embarques teria impacto significativo sobre a rentabilidade da cadeia exportadora. A Europa é considerada um destino estratégico para cortes nobres comercializados pelo Brasil há mais de duas décadas, cuja remuneração tende a ser superior à obtida em outros mercados internacionais. A rastreabilidade integral dos bovinos é apontada como o principal desafio para adequação às novas exigências.

O sistema deverá permitir comprovar, de forma documentada, a conformidade sanitária dos animais desde o nascimento até o abate, atendendo aos critérios estabelecidos pela regulamentação europeia. Exportadores também defendem avanços regulatórios internos relacionados ao uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária, alinhando o Brasil aos padrões já adotados por concorrentes internacionais como Argentina, Uruguai e Austrália. A preocupação do setor está relacionada à preservação do acesso aos mercados premium e à manutenção da competitividade das exportações brasileiras. A retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a atender às novas regras europeias ocorreu no mês passado e afeta um fluxo comercial estimado em cerca de US$ 1,8 bilhão por ano. Desde então, governo e setor privado atuam em negociações técnicas e diplomáticas para tentar reverter a decisão antes da implementação das restrições. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.