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19/Jun/2026

Boi: impactos do fim da cota de exportação à China

Segundo o Citigroup, a possível interrupção temporária das exportações brasileiras de carne bovina para a China após o preenchimento da cota de importação do país asiático deve gerar impactos negativos sobre a cadeia pecuária no segundo semestre de 2026, mas com intensidade inferior à sugerida por análises baseadas apenas na redução potencial dos embarques. A eventual diminuição das compras chinesas representa um deslocamento de aproximadamente 550 mil toneladas em relação ao volume exportado em 2025. Entretanto, o próprio ciclo pecuário brasileiro deverá retirar entre 450 mil e 500 mil toneladas de carne bovina do mercado em 2026, reduzindo o risco de formação de excesso expressivo de oferta.

Além do ajuste na disponibilidade de produto, a instituição destaca que a suspensão temporária das exportações para a China afeta uma importante fonte de liquidez dos frigoríficos. Como parte relevante dos contratos de exportação prevê pagamentos antecipados entre 30% e 50% do valor negociado, a interrupção desses fluxos financeiros tende a atingir com maior intensidade empresas de menor porte e com estrutura de capital mais restrita. Nesse cenário, a expectativa é de maior disciplina produtiva na indústria frigorífica. Os abates de bovinos podem recuar entre 5% e 10% durante o terceiro trimestre, com ajustes mais concentrados em frigoríficos independentes e de menor escala operacional. A avaliação é que o efeito financeiro da redução dos adiantamentos de exportação terá papel relevante no ajuste da atividade industrial.

Há baixa visibilidade sobre o momento exato de esgotamento da cota chinesa, uma vez que a China não divulga informações em tempo real sobre sua utilização. Com base em consultas a agentes do mercado, a expectativa é de que o limite seja atingido por volta do final de junho. Mesmo após o eventual preenchimento da cota, os embarques para a China não devem ser totalmente interrompidos. A projeção é de exportações residuais entre 20 mil e 40 mil toneladas por mês, abaixo da média histórica próxima de 135 mil toneladas mensais. Cortes de maior valor agregado, contratos específicos e nichos de mercado devem sustentar parte das vendas. O período entre julho e outubro tende a concentrar os maiores desafios para os exportadores brasileiros. A partir desse intervalo, a expectativa é de retomada gradual dos embarques à medida que as operações passem a ser direcionadas para a cota de importação de 2027.

Do ponto de vista financeiro, o redirecionamento de volumes para mercados alternativos poderá pressionar os preços de exportação, uma vez que esses destinos geralmente remuneram abaixo dos níveis praticados pela China. Em contrapartida, a redução da atividade de abate tende a aliviar os preços do boi gordo, compensando parcialmente a perda de receita dos frigoríficos. O impacto sobre a rentabilidade do setor deverá ser negativo durante o período de restrição, mas significativamente inferior ao sugerido por estimativas baseadas apenas no volume potencialmente não exportado. Parte relevante do choque tende a ser absorvida pelo próprio ajuste da oferta e pela redução da atividade industrial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.