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19/Jun/2026

Boi: desafios da rastreabilidade individual no Brasil

A implementação da rastreabilidade individual de bovinos e búfalos segue como um dos principais desafios para a pecuária brasileira, especialmente em razão da dimensão do rebanho nacional, estimado em cerca de 200 milhões de cabeças. O setor avalia que o Brasil já possui sistemas consolidados de rastreabilidade por lote, baseados principalmente na utilização da Guia de Trânsito Animal (GTA), que permite acompanhar a movimentação dos animais ao longo da cadeia produtiva. No entanto, a ampliação para um sistema de identificação individual demanda maior complexidade operacional e investimentos em tecnologia e gestão. A rastreabilidade individual enfrenta desafios tanto nas propriedades rurais quanto na indústria frigorífica. Embora seja possível acompanhar cada animal até a etapa de abate e entrada nas câmaras frias, a segregação individual dos cortes ao longo do processo industrial torna-se mais complexa, levando os sistemas a operarem por lotes nas etapas posteriores de processamento.

O tema ganhou relevância adicional diante das exigências de mercados internacionais, especialmente da União Europeia, que tem ampliado as demandas relacionadas à rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade ambiental das cadeias de proteína animal. Segundo representantes do setor, parte das exigências previstas na legislação europeia já é atendida pelo Brasil por meio de seus sistemas sanitários e de controle de origem. Contudo, a adaptação dos processos nacionais aos formatos específicos exigidos pela regulamentação europeia continua sendo um desafio para produtores, indústrias e órgãos governamentais. O debate também envolve a implementação da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que exige mecanismos robustos de comprovação da origem dos produtos agropecuários.

Nesse contexto, a ampliação dos sistemas de rastreabilidade é considerada estratégica para preservar o acesso da carne bovina brasileira aos mercados internacionais. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) prevê a adoção gradual da rastreabilidade individual no País até 2032. A expectativa é que o cronograma permita a adaptação progressiva dos diferentes elos da cadeia pecuária, conciliando as exigências dos mercados importadores com as características estruturais da produção brasileira. A evolução dos sistemas de rastreabilidade é vista pelo setor como um elemento importante para ampliar a competitividade da pecuária nacional, fortalecer a transparência da cadeia produtiva e atender às crescentes exigências dos consumidores e dos parceiros comerciais internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.