ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

19/Jun/2026

Carnes: UE reforça exigências sobre antimicrobianos

A União Europeia (UE) afirmou que as exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal não representam uma nova barreira regulatória para os exportadores brasileiros. A avaliação foi apresentada pelo conselheiro da Delegação da União Europeia no Brasil, Damian Vicente Lluna. Segundo o representante europeu, as restrições ao uso de determinados antimicrobianos vêm sendo implementadas pelo bloco desde os anos 2000 e já são aplicadas aos produtores europeus desde 2022. A partir de 3 de setembro deste ano, as exigências passarão a valer também para fornecedores de países terceiros, incluindo o Brasil. A manifestação ocorre após a Comissão Europeia excluir o Brasil da lista de países considerados aptos a atender integralmente os requisitos relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A medida gera preocupação entre exportadores e produtores brasileiros, especialmente por seu potencial impacto sobre as vendas de carnes ao mercado europeu.

A regulamentação está associada às políticas de saúde pública da União Europeia e às preocupações relacionadas ao avanço da resistência bacteriana aos antibióticos. O tema é considerado prioritário pelas autoridades sanitárias e pelos consumidores europeus. A Delegação da União Europeia no Brasil mantém diálogo com o Ministério da Agricultura e Pecuária para buscar alternativas que permitam reverter a situação. Segundo ele, recentes encontros entre autoridades brasileiras e europeias sinalizam disposição para aprofundar as negociações técnicas e encontrar soluções para adequação das exportações brasileiras. Outro ponto ressaltado pelo diplomata foi a importância da rastreabilidade na cadeia pecuária. Segundo ele, sistemas mais robustos de identificação e monitoramento da produção ganham relevância não apenas para o cumprimento das exigências relacionadas aos antimicrobianos, mas também diante da implementação da legislação europeia voltada ao combate ao desmatamento.

O governo brasileiro e o setor exportador trabalham para apresentar garantias adicionais sobre a conformidade das carnes destinadas ao mercado europeu. O comércio de produtos de origem animal entre Brasil e União Europeia movimenta aproximadamente US$ 1,8 bilhão por ano. Lluna também destacou a relevância das relações comerciais entre as duas regiões. A União Europeia absorve cerca de 15% das exportações do agronegócio brasileiro, que superaram US$ 25 bilhões no ano passado. Em um ambiente de maior instabilidade geopolítica e reconfiguração do comércio internacional, a diversificação de mercados e a busca por maior autonomia estratégica reforçam a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia. Apesar do avanço das negociações, permanecem desafios relacionados à implementação do acordo comercial, incluindo regras de origem, distribuição de cotas entre os países do Mercosul, propriedade intelectual e indicações geográficas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.