19/Jun/2026
O preço do leite captado em abril de 2026 registrou a quarta alta mensal consecutiva, impulsionado pela redução da oferta e pela maior concorrência entre laticínios pela aquisição de matéria-prima. A “Média Brasil” (Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) alcançou R$ 2,6584 por litro, avanço de 10,4% em relação a março. Apesar da recuperação recente, o valor permanece 7,1% abaixo do registrado em abril de 2025 em termos reais, considerando a correção pelo IPCA. A elevação dos preços ocorreu em um cenário de menor disponibilidade de leite cru. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) apontou retração de 3,4% entre março e abril na “Média Brasil”. No acumulado de 2026, a captação registra queda de 14,6%.
Além dos efeitos sazonais típicos do período de entressafra, a redução dos investimentos dentro das propriedades tem limitado a expansão da produção. Os custos de produção apresentaram alívio em maio. De acordo com o Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade recuou 1,39% frente ao mês anterior, refletindo principalmente a queda dos gastos com nutrição animal e operações mecanizadas. Foi a primeira redução dos custos em 2026. No segmento industrial, entretanto, surgem sinais de enfraquecimento do mercado. Levantamento mostrou queda de 7,56% nos preços do leite UHT em maio. Os valores da muçarela e do leite em pó fracionado permaneceram estáveis em comparação com abril. A oferta de derivados segue elevada, enquanto a demanda apresenta ritmo mais lento. No comércio exterior, as importações de lácteos voltaram a crescer em maio após o recuo observado no mês anterior.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam aumento de 3,58% no volume importado em relação a abril. Embora as exportações tenham avançado 45% no mesmo período, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou 2,8%, alcançando 220,4 milhões de litros equivalentes de leite. A perspectiva para os próximos meses é de acomodação dos preços no mercado lácteo brasileiro. A recuperação gradual da oferta, o elevado volume de importações e a menor liquidez dos derivados tendem a limitar novas altas. Em maio, o mercado apresentou comportamento regionalizado, com sustentação dos preços em parte da Região Sudeste e recuos observados na Região Sul do País. Para os meses seguintes, a expectativa é de fortalecimento do movimento de ajuste negativo nas cotações. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.