19/Jun/2026
O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira registrou em maio a primeira queda de 2026. Segundo levantamento do Cepea, o indicador recuou 1,39% em relação a abril na “Média Brasil” (Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Apesar do resultado mensal, o COE ainda acumula alta de 1,80% no ano. A redução dos custos foi impulsionada principalmente pelas quedas nas despesas com nutrição animal e operações mecanizadas. No segmento de alimentação, o grupo de concentrados apresentou desvalorização de 2,22% na “Média Brasil” em maio. Entre os Estados acompanhados, Goiás, Bahia, Paraná e São Paulo registraram relativa estabilidade nos preços dos concentrados. Já Minas Gerais e Santa Catarina apresentaram retrações mais expressivas, de 3,30% e 1,75%, respectivamente. O movimento foi influenciado pela redução dos preços das principais matérias-primas utilizadas na alimentação animal.
Na média das regiões monitoradas, o farelo de soja registrou queda de 1,19% entre abril e maio, enquanto o milho recuou 3,46% no mesmo período. No segmento de suplementação mineral, Bahia, Goiás, Paraná e Santa Catarina registraram elevação das cotações, reflexo do aumento dos custos logísticos e de transporte. Em Minas Gerais, contudo, os preços apresentaram queda durante o mês. As operações mecanizadas também contribuíram para a redução dos custos. Medidas adotadas pelo governo federal para diminuir os preços dos combustíveis no mercado interno resultaram em recuo médio de 3,8% no valor do diesel. Como consequência, os custos com operações mecanizadas caíram 2,97% na “Média Brasil”. As reduções mais significativas nessa categoria foram observadas em São Paulo, com queda de 4,32%, e em Minas Gerais, com retração de 3,24%. Apesar do recuo registrado em maio, os custos com operações mecanizadas ainda acumulam alta de 7,56% em 2026, refletindo a valorização dos combustíveis observada no início do ano.
A melhora do cenário de custos foi acompanhada por avanço no poder de compra do produtor de leite. Em abril, foram necessários 25,56 litros de leite para adquirir uma saca de 60 quilos de milho, redução de 13,8% em relação aos 29,64 litros exigidos em março. O ganho na relação de troca foi resultado da combinação entre a valorização de 11,1% do leite pago ao produtor, que alcançou R$ 2,66 por litro, e a queda de 4,2% no preço do milho, cuja média ficou em R$ 67,95 por saca. Com isso, o poder de compra do pecuarista superou a média observada nos últimos 12 meses, de 28,8 litros de leite por saca de milho. A redução dos custos operacionais e a melhora na relação de troca representam fatores positivos para a rentabilidade da atividade leiteira, especialmente em um contexto de menor oferta de leite cru e recuperação dos preços pagos ao produtor. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.