17/Jun/2026
O governo brasileiro avalia que a perspectiva de aumento da demanda chinesa por proteína animal poderá abrir espaço para uma renegociação da cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China. A avaliação ocorre após sinalizações do governo chinês de que o crescimento da classe média do país deverá ampliar a necessidade de importações de alimentos nos próximos anos. Segundo informações do Ministério da Agricultura, representantes do governo chinês indicaram que a população de classe média da China, atualmente estimada em cerca de 400 milhões de habitantes, poderá alcançar aproximadamente 700 milhões até 2032, elevando a demanda por proteínas animais e outros alimentos de maior valor agregado.
O tema ganha relevância diante da proximidade do esgotamento da atual cota brasileira de exportação de carne bovina ao mercado chinês. O limite anual estabelecido é de 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse volume, os embarques estão sujeitos a tarifa de 12%. Após o preenchimento da cota, a alíquota sobe para 55%, reduzindo significativamente a competitividade do produto brasileiro. Dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) indicam que, entre janeiro e abril, o Brasil já embarcou cerca de 70% do volume anual permitido. Mantido o ritmo atual, a cota poderá ser integralmente utilizada entre junho e julho. Além da China, o governo brasileiro também identifica potencial de expansão da demanda nos Estados Unidos.
Informações apresentadas durante o Outlook Forum do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), realizado em fevereiro, apontaram redução da produção de carne bovina no país, associada à diminuição do rebanho, à menor retenção de fêmeas e ao envelhecimento dos produtores rurais. O pré-contrato de abastecimento de carne bovina brasileira para o mercado norte-americano previa embarques de 280 mil toneladas em 2026. No entanto, até maio, as vendas já haviam alcançado 320 mil toneladas, superando o volume inicialmente estimado para todo o período. A avaliação do governo é que o aumento da demanda em dois dos principais mercados consumidores do mundo reforça as perspectivas para as exportações brasileiras de carne bovina e amplia o espaço para negociações comerciais que permitam maior acesso dos produtos nacionais a esses destinos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.