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17/Jun/2026

Boi: fundamentos estruturais seguem favoráveis

Segundo o Itaú BBA, o mercado brasileiro do boi gordo deverá enfrentar um período de maior volatilidade a partir do segundo semestre, com a perspectiva de esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China entre o fim de julho e o início de agosto. Apesar da incerteza de curto prazo, os fundamentos estruturais da pecuária seguem favoráveis, sustentados pela escassez global de carne bovina e pela fase de retenção de fêmeas no ciclo pecuário brasileiro. A cota anual destinada ao mercado chinês permite exportações com tarifa reduzida. Após seu esgotamento, a competitividade da carne brasileira tende a diminuir temporariamente, exigindo ajustes da cadeia produtiva e dos exportadores. Esse cenário já é refletido pelo mercado futuro da B3, que apresenta deságio entre os contratos do período de maior incerteza. Os contratos futuros indicavam, em 11 de junho, preços de R$ 348,00 por arroba para junho, recuando para R$ 338,00 por arroba nos vencimentos de julho e agosto.

A partir de setembro, entretanto, o mercado volta a projetar recuperação, com cotações de R$ 340 por arroba em setembro, R$ 349 por arroba em outubro, R$ 351,00 por arroba em novembro e R$ 352,00 por arroba em dezembro. A menor demanda chinesa poderá coincidir com o período seco, quando tradicionalmente ocorre redução da oferta de animais terminados a pasto. Ainda assim, frigoríficos mais dependentes das exportações para a China e produtores sem mecanismos de proteção de preços tendem a enfrentar maior exposição aos riscos de mercado. Por outro lado, pecuaristas que realizaram operações de hedge e sistemas intensivos de engorda devem manter margens positivas. Em maio, o mercado físico passou por acomodação. O preço médio do boi gordo em São Paulo foi de R$ 349,00 por arroba, queda de 3,9% em relação ao mês anterior.

No início de junho, contudo, os preços retomaram trajetória de alta e atingiram R$ 354,00 por arroba, impulsionados pela demanda externa aquecida. No segmento de reposição, os preços do bezerro avançaram 2% em maio, reforçando o movimento de valorização observado ao longo do ciclo pecuário. A alta reduz a relação de troca para recriadores e confinadores, mas amplia a rentabilidade dos criadores. No atacado, a carcaça casada permaneceu estável, contribuindo para a manutenção das margens da indústria frigorífica. As exportações seguem como principal fator de sustentação do mercado. Em maio, os embarques de carne bovina in natura alcançaram 262 mil toneladas, aumento de 20% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a maio, as vendas para a China cresceram 24%, representando 51% do total exportado pelo Brasil. Além do crescimento do volume, os preços médios pagos pelos importadores chineses aumentaram significativamente.

As cotações passaram de US$ 5.400,00 por tonelada em janeiro para US$ 6.800,00 por tonelada em maio, fortalecendo a rentabilidade das exportações brasileiras. No campo, os dados do IBGE mostram que os abates de bovinos cresceram 3,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com igual período do ano anterior. A produção de carne, porém, avançou 5,1%, favorecida pelo maior peso médio das carcaças e pela menor participação de fêmeas nos abates, sinalizando continuidade do movimento de retenção no rebanho nacional. Diante desse cenário, eventuais ajustes decorrentes do esgotamento da cota chinesa tendem a ser temporários, enquanto a menor oferta global de carne bovina e a recomposição dos rebanhos em importantes países produtores continuam oferecendo suporte às cotações no médio e longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.