17/Jun/2026
Segundo o Itaú BBA, a suinocultura brasileira registrou nova deterioração das margens em maio, com a continuidade da pressão exercida pela elevada oferta de animais sobre os preços do mercado. A diferença entre as cotações do suíno vivo e os custos de produção ampliou os prejuízos dos produtores, reforçando a necessidade de ajuste no ritmo de produção para restabelecer o equilíbrio econômico da atividade. O setor enfrenta margens negativas no curto prazo e deve promover uma desaceleração da produção antes que eventuais pressões adicionais sobre os custos, associadas ao fortalecimento do fenômeno El Niño, afetem ainda mais a rentabilidade. O ciclo produtivo mais longo da suinocultura exige planejamento antecipado diante dos riscos climáticos previstos para os próximos meses. Em maio, o preço do suíno vivo recuou 9% na média dos Estados da Região Sul e em Minas Gerais, comportamento semelhante ao observado em São Paulo. A cotação média mensal ficou em R$ 5,25 por quilo.
No mesmo período, o custo de produção foi estimado em R$ 6,03 por quilo, elevando o prejuízo por suíno abatido de R$ 40,00 em abril para R$ 94,00 em maio. Com isso, o spread da atividade ficou negativo em 15%. No mercado interno, as margens permaneceram abaixo das registradas em 2025, acompanhando a desvalorização da carne suína. Entretanto, os preços do suíno vivo e da proteína podem apresentar alguma recuperação nos próximos meses, considerando que as cotações estão próximas dos menores níveis observados desde 2022 em relação à carne de frango. Dados preliminares de abates sob inspeção federal em maio já indicam moderação no ritmo de produção em comparação com os meses anteriores, sinalizando possível início de ajuste na oferta. No mercado externo, os embarques de carne suína in natura mantiveram desempenho positivo na comparação anual.
Em maio, as exportações somaram 111 mil toneladas, volume 4,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o crescimento foi de 12%. O spread das exportações apresentou leve acomodação e alcançou 38%, uma vez que os custos de produção avançaram em ritmo ligeiramente superior ao aumento de 0,3% nos preços da carne exportada. Ainda assim, a margem permanece acima da média dos últimos cinco anos, de 35%. Dados do IBGE mostram que os abates de suínos no primeiro trimestre de 2026 cresceram 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da expansão, a produção de carne aumentou 2,6%, refletindo carcaças 2,7% mais leves. O processo de ajuste da oferta será determinante para a recuperação das margens da atividade, especialmente diante das incertezas climáticas e dos potenciais impactos sobre os custos de alimentação animal nos próximos ciclos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.