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17/Jun/2026

Carnes: competitividade fortalece papel do Brasil

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) afirmou que a relevância do Brasil no mercado internacional de alimentos está mais associada à competitividade e à capacidade de influenciar preços globais do que ao volume absoluto de produção. Embora o País seja um dos principais exportadores mundiais de produtos agropecuários, não pode ser caracterizado como o "celeiro do mundo". A produção brasileira representa cerca de 350 milhões de toneladas dentro de um universo global estimado em aproximadamente 10 bilhões de toneladas de produtos oriundos do agronegócio. Desse total, cerca de 6 bilhões de toneladas correspondem a alimentos e 4 bilhões de toneladas a produtos não alimentícios, como fibras, energia renovável e matérias-primas de origem biológica. A maior parte dos alimentos continuará sendo produzida e consumida regionalmente.

Por isso, o diferencial competitivo do Brasil estaria concentrado principalmente no segmento de proteínas animais, mercado de maior valor agregado e crescente demanda mundial. O País figura entre os poucos produtores capazes de atender simultaneamente diferentes exigências internacionais de qualidade, rastreabilidade e padrões culturais de consumo. A cadeia produtiva brasileira abastece mercados com requisitos específicos, incluindo produtos halal para países islâmicos, kosher para Israel e cortes adaptados às demandas de consumidores da Europa, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, China e América Latina. A competitividade da proteína animal brasileira exerce influência sobre os preços praticados em diversos mercados importadores. Parte da resistência enfrentada pelo Brasil em negociações comerciais decorre justamente do impacto que os produtos brasileiros podem gerar sobre os preços internos dos países concorrentes.

A produção agropecuária brasileira opera sob características próprias da agricultura tropical. A possibilidade de realizar duas ou até três safras em uma mesma área ao longo do ano exige elevada coordenação entre plantio, colheita, logística e comercialização. Esse modelo se assemelha a sistemas industriais de produção contínua, nos quais atrasos em uma etapa podem comprometer toda a cadeia produtiva. Essa dinâmica aumenta a sensibilidade do agronegócio nacional a eventos que afetem a logística global, como interrupções em corredores estratégicos de transporte marítimo, a exemplo do Estreito de Ormuz e do Canal do Panamá. Apesar dos desafios logísticos e do ambiente de juros elevados no Brasil, o agronegócio continua demonstrando capacidade de expansão e adaptação. A combinação entre produtividade, eficiência e inserção internacional tem permitido ao setor manter crescimento mesmo em um cenário de custos financeiros elevados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.