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17/Jun/2026

Carnes: JBS busca crescer com diversificação global

A JBS apresentou sua estratégia de crescimento para os próximos anos durante o Investor Day 2026, destacando a diversificação de proteínas, a expansão internacional e o avanço em segmentos de maior valor agregado. A companhia pretende ampliar receitas e margens por meio de investimentos em ovos, biotecnologia, proteínas alternativas, inteligência artificial, automação e fortalecimento de marcas. Segundo a empresa, a geração de valor aos acionistas será sustentada por uma combinação de crescimento orgânico, aquisições, entrada em novas categorias de proteína e expansão geográfica. Entre os focos estratégicos estão a ampliação da participação em produtos de maior valor agregado e o fortalecimento da presença em mercados internacionais. Um dos principais vetores de crescimento é a operação de ovos da Mantiqueira. A companhia classificou o negócio como uma plataforma global de expansão, com capacidade para 30 milhões de aves, operações no Brasil e nos Estados Unidos e posição entre os maiores produtores mundiais do segmento.

A estratégia inclui o desenvolvimento de marcas premium e produtos voltados ao mercado de proteínas funcionais. A JBS também reforçou os investimentos em biotecnologia. As iniciativas envolvem a Genu-in, dedicada à produção de peptídeos bioativos, e a BioTech Foods, na Espanha, voltada ao desenvolvimento de proteínas alternativas por cultivo celular e outras tecnologias. O objetivo é ampliar a oferta de ingredientes funcionais destinados aos mercados de suplementação alimentar, bebidas e nutrição especializada. A companhia fundamenta sua estratégia na expectativa de crescimento contínuo do consumo global de proteínas. Segundo a avaliação apresentada, o mercado de alimentos ricos em proteína deverá crescer a uma taxa média anual de 8% entre 2025 e 2034. Entre os fatores que sustentam essa tendência estão as mudanças nos hábitos alimentares e o aumento da utilização de medicamentos da classe GLP-1, que têm estimulado dietas com maior teor proteico. No mercado internacional, o Oriente Médio foi destacado como uma das regiões prioritárias para expansão.

A operação da marca Seara na região alcançou receita líquida de US$ 500 milhões em 2025 e conta atualmente com duas unidades industriais em operação e uma terceira em construção em Jeddah, na Arábia Saudita. O reconhecimento da marca também avançou significativamente nos últimos anos, segundo a companhia. Outro projeto relevante está localizado em Omã. O empreendimento prevê investimento de US$ 150 milhões e potencial de geração de receita de US$ 1,5 bilhão quando atingir plena capacidade operacional. O complexo terá capacidade para processar diariamente mil bovinos, cinco mil ovinos e 600 mil aves. Na pecuária bovina, a JBS avalia que o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar a produção nos próximos anos. A empresa destaca que a oferta global de bovinos permanece em níveis historicamente reduzidos, enquanto a demanda mundial continua crescendo. O aumento da produção brasileira poderá ocorrer sem expansão de área, por meio da intensificação dos sistemas produtivos, ganhos de produtividade, avanços em genética, nutrição animal e redução da idade de abate.

O Brasil possui atualmente o maior rebanho comercial bovino do mundo, com 192,6 milhões de cabeças. A empresa também aponta que a expansão da produção de etanol de milho tende a elevar a disponibilidade de DDG, coproduto utilizado na alimentação animal, criando condições favoráveis para um novo ciclo de crescimento da pecuária nacional. No aspecto financeiro, a JBS informou ter gerado US$ 14,6 bilhões em fluxo de caixa livre entre 2019 e o primeiro trimestre de 2026, desconsiderando investimentos de expansão. No mesmo período, distribuiu US$ 6,4 bilhões em dividendos e realizou recompras de ações que somaram US$ 3,4 bilhões. A companhia prevê distribuir US$ 1,07 bilhão em dividendos em junho e reafirmou sua estratégia baseada em cinco pilares: crescimento contínuo, expansão de margens, redução da volatilidade dos resultados, disciplina financeira e retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.