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12/Jun/2026

Boi: El Niño pode reduzir a oferta global em 2027

A possível formação de um evento El Niño durante o ciclo 2026/27 poderá influenciar significativamente a oferta global de bovinos para abate em 2027, especialmente devido à interação entre as condições climáticas e o atual estágio do ciclo pecuário nos principais países exportadores. Segundo a StoneX, há riscos de redução da disponibilidade mundial de bovinos terminados ao longo dos próximos anos. O principal fator de preocupação não está apenas na intensidade do fenômeno climático, mas na combinação entre eventuais impactos sobre as pastagens e um momento de transição do ciclo pecuário global. Esse cenário pode afetar decisões de retenção e descarte de matrizes, influenciando a produção futura de bezerros e a oferta de bovinos para abate. As projeções climáticas indicam avanço das condições favoráveis à formação do El Niño no Oceano Pacífico, com maior intensidade prevista entre outubro e dezembro de 2026. O período é considerado estratégico para a formação das pastagens e para o desenvolvimento da estação chuvosa em importantes regiões produtoras da América do Sul.

O estudo destaca que projeções do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos apontavam probabilidade de 63% para a ocorrência de um El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. No Brasil, os potenciais impactos são ampliados pela elevada dependência do sistema de produção baseado em pastagens. Mais de 80% do rebanho nacional é criado a pasto, tornando a atividade sensível a déficits hídricos e oscilações climáticas. As regiões de maior risco apontadas pela consultoria concentram-se no Centro-Oeste e no Norte do País, especialmente nos estados de Rondônia e Pará, onde predominam sistemas extensivos de produção. A deterioração das condições das pastagens pode reduzir a disponibilidade e a qualidade da forragem, afetando o ganho de peso dos animais e influenciando as estratégias dos pecuaristas.

Em um cenário de menor oferta de alimento, os produtores podem optar por antecipar o abate, elevando temporariamente a disponibilidade de bovinos e reduzindo a oferta futura, ou intensificar a suplementação alimentar para postergar a venda, deslocando parte da produção para períodos posteriores. Os efeitos mais evidentes dessa dinâmica tendem a ocorrer entre dezembro de 2026 e março de 2027. Nesse intervalo, deverão ser definidas as condições de oferta da chamada safra do boi, determinando se haverá concentração de animais no curto prazo ou postergação da comercialização para períodos posteriores de 2027. Os impactos climáticos, entretanto, não deverão ocorrer de forma homogênea entre as regiões produtoras. Na Região Sul do Brasil e na Argentina, a expectativa é de chuvas acima da média, condição que pode favorecer a formação de pastagens e o desempenho da engorda. Ainda assim, volumes excessivos de precipitação podem comprometer a qualidade da forragem e elevar a incidência de problemas sanitários. A avaliação é de que o saldo tende a ser positivo, desde que não ocorram excessos significativos de chuva.

A Austrália também figura entre os países mais expostos aos efeitos do fenômeno. O país é o segundo maior exportador mundial de carne bovina e concentra mais de 60% do rebanho nas regiões leste e sudeste, áreas potencialmente sujeitas a condições mais secas durante o evento climático. Mesmo com participação relevante do confinamento, a produção australiana continua fortemente dependente das pastagens e da produção de forragem, o que pode elevar custos e reduzir o desempenho produtivo dos animais. Os meses de fevereiro e março de 2027 representam o período de maior vulnerabilidade para a pecuária australiana. O cenário climático ocorre em um momento considerado delicado para a oferta mundial de carne bovina. Brasil e Austrália registraram nos últimos anos elevados índices de abate de fêmeas, movimento que tende a limitar a reposição dos rebanhos. No Brasil, a participação de fêmeas no abate aproximou-se de 47% em 2025, enquanto na Austrália superou 53% no mesmo período.

O aumento do descarte de matrizes reduz a produção futura de bezerros e, consequentemente, a disponibilidade de bovinos terminados nos anos seguintes. Esse processo é característico da virada do ciclo pecuário e tende a restringir a oferta de animais para abate em horizontes mais longos. O quadro de oferta global mais ajustada também é reforçado pela situação de outros importantes produtores. Os Estados Unidos operam com o menor rebanho bovino em 72 anos, enquanto a Argentina registra redução dos estoques pecuários nos últimos anos. Essa conjuntura reduz a capacidade desses países de compensar eventuais quedas de produção em Brasil ou Austrália. Dessa forma, a combinação entre condições climáticas adversas e um ciclo pecuário em fase de transição poderá intensificar o aperto na oferta mundial de carne bovina ao longo de 2027, sustentando um ambiente de maior atenção para preços, disponibilidade de bovinos e fluxos internacionais de comércio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.