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12/Jun/2026

Boi: demanda dos EUA abre espaço carne brasileira

A necessidade crescente de importação de carne bovina pelos Estados Unidos pode abrir novas oportunidades para o Brasil nos próximos anos. Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país deverá importar cerca de 2,77 milhões de toneladas da proteína em 2026 e um volume próximo disso em 2027. Mesmo sem mudanças nas regras atuais, a expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 318 mil toneladas para o mercado norte-americano. Há potencial para um crescimento ainda maior caso os Estados Unidos eliminem a chamada TRQ (Tariff-Rate Quota), sistema de cotas que limita a entrada da carne bovina brasileira no país. Dessas 2,77 milhões de toneladas que os Estados Unidos devem importar, o Brasil pode exportar cerca de 318 mil toneladas. Isso com a TRQ mantida e com os impostos aplicados depois que a cota é esgotada. Atualmente, o Brasil participa da cota destinada ao grupo de “outros países”, que até 2025 era de 65.005 toneladas.

Neste ano, porém, os Estados Unidos transferiram 13 mil toneladas desse volume para o Reino Unido, reduzindo a cota compartilhada para 52 mil toneladas. O problema é que esse limite costuma ser preenchido nos primeiros dias de janeiro, obrigando os exportadores a pagar uma tarifa de 26,4% sobre os embarques realizados posteriormente. A situação coloca o Brasil em desvantagem frente a concorrentes como Austrália e Nova Zelândia. A Austrália, principal fornecedora de carne bovina para os Estados Unidos, possui uma cota próxima de 550 mil toneladas e não paga tarifas dentro desse limite. Mesmo fora da cota, a alíquota aplicada é de 21,1%, inferior à cobrada sobre a carne brasileira. A Austrália tem uma cota muito maior e condições tarifárias mais favoráveis. Enquanto o Brasil paga US$ 0,40 por Kg dentro da cota e 26,4% quando ela estoura, os australianos entram sem tarifa dentro do limite e pagam menos imposto fora dele. Uma eventual eliminação da TRQ mudaria significativamente a competitividade brasileira no mercado norte-americano.

Se por acaso fosse realmente derrubada a TRQ, o Brasil competiria em pé de igualdade com a Austrália, Nova Zelândia e com os demais fornecedores por esses 2,7 milhões de toneladas de carne que os Estados Unidos precisam importar. A carne brasileira tem um preço mais competitivo. Embora alguns cortes australianos tenham preferência entre consumidores norte-americanos, principalmente por questões ligadas à qualidade e ao perfil do produto, o Brasil teria condições de ampliar sua participação no mercado. Certamente o Brasil conseguiria exportar muito mais do que as 318 mil toneladas projetadas hoje. A avaliação ganha força diante do atual cenário da pecuária norte-americana. Dados do USDA mostram que o rebanho bovino dos Estados Unidos caiu para 86,2 milhões de cabeças em janeiro de 2026, o menor nível dos últimos 75 anos. Além disso, problemas sanitários enfrentados pelo México reduziram o fluxo de gado destinado aos confinamentos norte-americanos, dificultando a recomposição da oferta local.

Nesse contexto, o mercado norte-americano pode se tornar ainda mais estratégico para a carne bovina brasileira. Talvez até a ponto de compensar parte da perda que o Brasil pode ter com a cota chinesa. Os Estados Unidos têm uma necessidade muito grande de importação e o Brasil reúne competitividade de preço, escala de produção e capacidade de fornecimento. Apesar do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre o fim da TRQ para a carne bovina, a medida acabou sendo adiada após forte reação de entidades ligadas aos pecuaristas norte-americanos. A preocupação do setor é que uma maior abertura às importações possa pressionar os preços internos e dificultar a recuperação do rebanho nacional. Enquanto a decisão não é formalizada, o Brasil segue ampliando sua presença no mercado. Em 2025, os Estados Unidos importaram 229,5 mil toneladas de carne bovina brasileira. Apenas entre janeiro e abril deste ano, os embarques já somaram 135,6 mil toneladas, reforçando a importância crescente do destino para as exportações nacionais. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.