ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

12/Jun/2026

Carnes: exigências sanitárias afetam acesso à UE

A decisão da União Europeia de restringir, a partir de setembro, as importações de carnes, aves, pescados e mel do Brasil amplia as preocupações do setor agropecuário em relação ao acesso ao mercado europeu. A medida foi fundamentada na avaliação de que o País não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar o atendimento às exigências do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. O mercado europeu representa um importante destino para as exportações brasileiras desses produtos. Em 2025, as vendas externas de carnes, aves, pescados e mel para a União Europeia somaram aproximadamente US$ 1,8 bilhão, o que evidencia o potencial impacto econômico da restrição para diferentes cadeias produtivas do agronegócio nacional. A regulamentação europeia referente ao uso de antimicrobianos foi estabelecida em 2019, sucedendo discussões regulatórias iniciadas ainda em 2018.

O conjunto de normas passou por atualizações recentes e integra a estratégia sanitária da União Europeia voltada à redução do uso de substâncias consideradas críticas para a saúde humana e animal. Entidades representativas do setor agropecuário brasileiro avaliam que a medida está relacionada principalmente ao processo de adequação documental e regulatória exigido pelo bloco europeu, e não a questionamentos sobre a qualidade sanitária dos rebanhos ou dos sistemas produtivos brasileiros. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifestou preocupação com a decisão e avaliou que a medida contraria o ambiente de integração comercial construído entre Mercosul e União Europeia. Outras entidades do setor destacam que o Brasil possui ampla inserção internacional no mercado de proteínas animais, exportando para mais de 170 países e operando sob sistemas de inspeção e defesa agropecuária reconhecidos internacionalmente.

Nesse contexto, representantes do agronegócio defendem uma análise detalhada dos procedimentos de adequação exigidos pela União Europeia para identificar eventuais etapas que não tenham sido concluídas dentro dos prazos estabelecidos. A situação ganha relevância adicional diante do aumento das exigências regulatórias nos mercados internacionais e da intensificação da concorrência entre exportadores globais. Países como Argentina, Colômbia e México permanecem habilitados a fornecer proteína animal ao mercado europeu, reforçando a necessidade de alinhamento regulatório para manutenção da competitividade brasileira. O episódio evidencia a crescente importância da antecipação regulatória e do acompanhamento permanente das exigências sanitárias e comerciais dos principais mercados importadores. A adequação aos protocolos internacionais tende a assumir papel cada vez mais estratégico para preservar o acesso dos produtos agropecuários brasileiros aos mercados de maior valor agregado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.