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11/Jun/2026

Carnes: Brasil atrasou adaptação às regras da UE

O Brasil iniciou de forma tardia o processo de adaptação às novas exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal, o que coloca o País em corrida contra o tempo para evitar a suspensão das exportações de proteínas animais ao bloco a partir de 3 de setembro de 2026. As mudanças regulatórias europeias impactam diretamente a competitividade do setor exportador brasileiro. No recorte por cadeias produtivas, a avicultura tende a apresentar maior capacidade de adequação às exigências da União Europeia, enquanto a pecuária bovina enfrenta desafios mais complexos devido à maior fragmentação da cadeia produtiva no Brasil, o que dificulta a implementação de sistemas integrados de controle e rastreabilidade. A conformidade com as normas europeias depende da estruturação de mecanismos de controle coordenados pelo setor privado, com supervisão oficial das autoridades sanitárias brasileiras.

Na comparação com países do Mercosul que mantêm habilitação para exportar ao mercado europeu, Argentina, Uruguai e Paraguai avançaram de forma antecipada na adaptação às normas. O Uruguai opera há anos com um modelo sanitário alinhado às exigências europeias, utilizando a regulamentação da União Europeia como referência para seu sistema interno. A Argentina iniciou em 2024 um processo de atualização regulatória voltado ao controle de antimicrobianos e à rastreabilidade das cadeias de produção animal, abrangendo diferentes proteínas exportadas ao bloco europeu. Já o Paraguai concentrou seus ajustes na cadeia bovina, única proteína animal exportada ao mercado europeu, estruturando um sistema específico de adequação. O fator determinante na diferença de posicionamento entre o Brasil e seus vizinhos foi a antecipação regulatória.

Desde outubro de 2024, os países exportadores já tinham conhecimento das novas regras e do prazo para adaptação, o que permitiu ajustes graduais nos sistemas produtivos e sanitários. Enquanto esses países avançaram na implementação das exigências, o Brasil iniciou o processo de forma mais efetiva apenas recentemente, o que reduz a margem de tempo para adequação plena. A União Europeia confirmou na semana anterior a suspensão das importações brasileiras de bovinos, aves, peixes, equídeos, mel e tripas a partir de setembro de 2026. A medida está relacionada à avaliação do bloco de que o Brasil ainda não apresentou garantias consideradas suficientes sobre os mecanismos de controle do uso de antimicrobianos na produção animal, exigência prevista no novo arcabouço regulatório europeu. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.