11/Jun/2026
A suspensão das importações de proteínas animais brasileiras pela União Europeia pode gerar impactos que ultrapassam as perdas comerciais imediatas e afetar a reputação internacional do agronegócio brasileiro. Embora a União Europeia represente atualmente cerca de US$ 1 bilhão em compras de proteínas animais do Brasil, sua relevância é considerada estratégica por funcionar como um mercado de alta exigência regulatória, capaz de validar a capacidade de atendimento do país a padrões internacionais mais rigorosos. Esse tipo de acesso é interpretado como um indicativo de conformidade sanitária e institucional perante outros mercados globais. Ao longo das últimas décadas, o bloco europeu passou a impor camadas sucessivas de exigências sanitárias, ambientais e de certificação. O Brasil estruturou sistemas específicos para atender parte dessas demandas, incluindo estabelecimentos habilitados para exportação e protocolos de rastreabilidade vinculados ao Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov).
Entre os novos desafios regulatórios, estão as exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos e a entrada em vigor do regulamento europeu contra o desmatamento (EUDR), que amplia o nível de verificação exigido sobre as cadeias produtivas. O cenário pressiona o País a avançar simultaneamente em negociação diplomática e adaptação estrutural às regras dos principais mercados compradores. A rastreabilidade é apontada como elemento central para a adequação do setor. O conceito deve ir além da identificação individual de animais, passando a um sistema integrado de informações capaz de reunir dados produtivos, sanitários, ambientais e regulatórios em uma infraestrutura digital pública. Esse modelo ampliaria a capacidade de comprovação de conformidade do Brasil em diferentes frentes de exigência internacional.
A implementação desse tipo de sistema é considerada essencial não apenas para atender requisitos sanitários, mas também para sustentar futuras demandas relacionadas a sustentabilidade e descarbonização das cadeias produtivas. Apesar do avanço tecnológico disponível no País, a adoção de uma rastreabilidade ampla ainda ocorre de forma gradual na pecuária bovina. Outro ponto destacado é a necessidade de aprimoramento da governança setorial. A ausência de um espaço institucional integrado entre governo, produtores, frigoríficos, entidades representativas e fornecedores de insumos é apontada como um entrave à construção de estratégias coordenadas para enfrentar desafios regulatórios internacionais. Nesse contexto, a condução de um processo de articulação mais estruturado é considerada fundamental para transformar exigências externas em políticas e soluções internas capazes de fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.