10/Jun/2026
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) intensificou as ações de combate à mosca-da-bicheira, tendo como principal estratégia a ampliação da produção e da dispersão de moscas estéreis para interromper o ciclo reprodutivo da praga e acelerar sua erradicação. Já está em operação uma instalação dedicada à dispersão de moscas estéreis no sul do Texas. Paralelamente, foram destinados dezenas de milhões de dólares para a modernização da unidade de Metapa, no México, cuja produção de moscas estéreis deverá entrar em funcionamento ainda neste mês. O governo norte-americano também avança na construção de uma nova unidade de grande porte em Moore, no Texas. Quando concluída, a instalação deverá elevar a capacidade produtiva para centenas de milhões de moscas estéreis por ano até meados de 2027, fortalecendo a estratégia de controle biológico da praga. Além da expansão da infraestrutura de produção, o USDA ampliou as medidas de vigilância e monitoramento na fronteira entre Estados Unidos e México.
As ações incluem aumento da dispersão de moscas estéreis, instalação de mais de 8 mil armadilhas de monitoramento, análise de dezenas de milhares de amostras e intensificação do acompanhamento sanitário da fauna silvestre. Como complemento à estratégia de controle, o governo dos Estados Unidos lançou um programa de inovação com orçamento de US$ 100 milhões destinado ao desenvolvimento de novas tecnologias e soluções pelo setor privado para prevenção e combate à mosca-da-bicheira. A prioridade das autoridades norte-americanas é ampliar ao máximo a capacidade de produção de moscas estéreis e avaliar alternativas adicionais de controle, com o objetivo de garantir condições operacionais para enfrentar eventuais riscos de disseminação da praga durante a próxima primavera no Hemisfério Norte. A mosca-da-bicheira é considerada uma das principais ameaças sanitárias à pecuária devido aos prejuízos causados por suas larvas, que se desenvolvem em feridas abertas de animais, comprometendo a saúde dos rebanhos e elevando os custos de controle e manejo sanitário.
A confirmação de novos casos da larva da mosca-da-bicheira no Texas adiciona um fator de risco ao mercado de carne bovina dos Estados Unidos, que já enfrenta forte restrição de oferta de bovinos para abate. De acordo com o USDA, foram registrados mais dois casos da praga no Estado, elevando para quatro o número total de ocorrências confirmadas. A mosca-da-bicheira é um parasita cujas larvas se alimentam de tecido vivo e podem afetar bovinos, animais silvestres, animais domésticos e, em situações raras, seres humanos. A preocupação das autoridades sanitárias ocorre em um momento de baixa disponibilidade de gado no mercado norte-americano. O rebanho bovino dos Estados Unidos encontra-se no menor nível dos últimos 75 anos, resultado de sucessivos períodos de seca, custos elevados de alimentação animal e baixa atratividade econômica para expansão dos plantéis.
Como medida preventiva para conter o avanço da praga, o USDA determinou o fechamento dos pontos de entrada de bovinos na fronteira sul do país, restringindo também o fluxo de animais provenientes do México. A redução da oferta de bovinos tem contribuído para a valorização do gado e para o aumento dos preços da carne no mercado consumidor. Em abril, os preços da carne bovina e da vitela nos Estados Unidos estavam 14,8% acima dos registrados no mesmo período do ano anterior. No mesmo mês, o preço médio da carne bovina in natura alcançou o recorde de US$ 9,64 por libra-peso, refletindo a combinação entre oferta restrita e demanda ainda sustentada. Especialistas apontam que a mosca-da-bicheira pode ser controlada por meio de quarentenas, monitoramento intensivo, restrições de transporte e programas sanitários específicos. No entanto, mesmo surtos localizados tendem a elevar os custos operacionais da cadeia pecuária, dificultar a movimentação de animais e aumentar a necessidade de investimentos em vigilância e controle sanitário.
O cenário também amplia os desafios para grandes processadoras de carne bovina, como a Tyson Foods e a JBS. Embora os preços da carne estejam em níveis elevados, a valorização do gado tem avançado em ritmo superior à capacidade de repasse de custos para o consumidor final, pressionando as margens da indústria frigorífica. A Tyson projeta prejuízo operacional em sua divisão de carne bovina ao longo de 2026. A operação de carne bovina da JBS na América do Norte registrou margem negativa no trimestre mais recente, evidenciando os desafios enfrentados pelo segmento. A repercussão do cenário também foi observada no mercado financeiro. As ações da Tyson e da JBS recuaram. A combinação entre escassez histórica de gado, restrições sanitárias e custos crescentes reforça as preocupações sobre a oferta de carne bovina nos Estados Unidos e sobre a rentabilidade das empresas ligadas à cadeia pecuária no curto e médio prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.