10/Jun/2026
Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a restrição imposta pela União Europeia às importações de produtos brasileiros de origem animal, com vigência prevista para 3 de setembro de 2026, decorre de falhas na comprovação de conformidade sanitária e na resposta regulatória do Brasil às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos. As exigências relacionadas à proibição de antimicrobianos utilizados como promotores de crescimento foram estabelecidas pela União Europeia em outubro de 2024, proporcionando prazo para que o Brasil demonstrasse adequação aos requisitos sanitários exigidos pelo bloco. A ausência de garantias regulatórias consideradas suficientes comprometeu um mercado que, em 2025, respondeu por US$ 1,848 bilhão das exportações brasileiras destinadas à União Europeia, valor equivalente a 7,3% do faturamento total do agronegócio nacional embarcado para o bloco europeu.
Os impactos da medida concentram-se em segmentos específicos da produção animal, incluindo carne bovina, carne de frango, peru, equídeos, tripas naturais, mel, ovos e pescados. Entre as cadeias mais expostas, a carne e os miúdos bovinos lideram em valor exportado, com vendas de US$ 1,008 bilhão para a União Europeia em 2025, representando 6% das exportações brasileiras da categoria e posicionando o bloco como o terceiro principal destino do produto. A carne de frango aparece como o segundo segmento mais afetado, com exportações de US$ 763 milhões e participação de 8% nas vendas externas brasileiras da proteína para o mercado europeu, que ocupa a quarta posição entre os destinos do produto. Em termos de dependência relativa, os setores mais expostos são os de tripas naturais e estômagos, que destinam 13% do faturamento externo ao bloco europeu, seguidos pela carne de equídeos, com 12%, e pelo mel natural, com 5%.
Considerando o volume físico, os produtos abrangidos pela restrição totalizaram 369,8 mil toneladas exportadas no ano anterior, correspondendo a 1,1% do volume total embarcado pelo setor primário brasileiro para a União Europeia. A análise da Farsul também identificou sinais de antecipação de embarques durante maio de 2026, possivelmente em resposta à proximidade da entrada em vigor da restrição. No segmento de carne de frango, as exportações para a União Europeia somaram US$ 119,1 milhões no mês, avanço de 58% em relação a maio de 2025 e de 25,7% frente à média mensal registrada entre janeiro e abril deste ano. As exportações de peru e demais aves alcançaram US$ 6,7 milhões, crescimento de 2.672,8% na comparação anual e de 135,3% em relação à média dos quatro primeiros meses de 2026. O mel natural registrou receita de US$ 1,7 milhão, aumento de 161,7% ante maio do ano passado e de 126,1% frente à média do primeiro quadrimestre.
No caso da carne bovina, as vendas totalizaram US$ 73,5 milhões em maio, alta de 39,3% na comparação anual. Entretanto, o avanço foi de apenas 2,8% frente à média observada entre janeiro e abril, sinalizando menor evidência de aceleração dos embarques quando comparado a outros produtos afetados pela medida. A interpretação desses movimentos deve considerar também a entrada em vigor provisória do acordo comercial Mercosul-União Europeia em 1º de maio, fator que pode ter contribuído para o aumento dos embarques e dificulta atribuir integralmente o comportamento das exportações à iminência das restrições sanitárias. A perspectiva para os próximos meses dependerá da capacidade do Brasil de atender às exigências regulatórias europeias e restabelecer as garantias sanitárias requeridas para manutenção do acesso ao mercado comunitário, especialmente para as cadeias de proteína animal com maior participação nas exportações ao bloco.
O Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) cobrou do governo federal uma resposta urgente à União Europeia para evitar a possível suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros a partir de 3 de setembro. A entidade atribui o risco de restrição comercial à demora no envio de informações exigidas pelo bloco europeu relacionadas ao cumprimento de normas sanitárias. A manifestação foi formalizada em ofício encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com alerta de que a medida pode afetar a exportação de carnes bovina e de aves, mel, equinos, tripas e produtos da aquicultura, caso não sejam apresentadas evidências do atendimento aos padrões exigidos, especialmente no que se refere ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A eventual suspensão não reflete a situação sanitária da pecuária brasileira e pode gerar impactos relevantes sobre os produtores rurais, com efeitos diretos sobre a cadeia exportadora.
O Brasil possui reconhecimento internacional em sanidade animal, incluindo status de área livre de febre aftosa sem vacinação. O Paraná obteve esse reconhecimento em 2021, enquanto o Brasil passou a ter o mesmo status em 2025. No mesmo ano, a China também reconheceu o território brasileiro como livre da doença sem vacinação, reforçando o histórico de certificações sanitárias do país no comércio internacional de proteínas animais. A eventual manutenção de restrições comerciais teria efeitos que extrapolam a balança comercial, atingindo produtores que realizaram investimentos em sanidade, rastreabilidade e adequação aos requisitos de mercados internacionais. O setor produtivo defende maior agilidade na articulação diplomática e técnica com a União Europeia, com o objetivo de evitar a interrupção do fluxo de exportações e preservar a competitividade da carne brasileira no mercado global. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.