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09/Jun/2026

Carnes: UE confirma veto à importação do Brasil

A União Europeia confirmou o veto para a compra de carnes do Brasil a partir de 3 de setembro. De acordo com comunicado assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, e divulgado no dia 5 de junho, a medida atinge bovinos, equídeos (cavalos), aves, aquicultura (peixes), mel e tripas. Em maio, a União Europeia já havia retirado o Brasil de uma lista de países aptos a realizar a exportação desses produtos para o bloco. Os países europeus exigem que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de uso de antimicrobianos, como antibióticos, por exemplo, nas criações. Segundo o documento, o Brasil não chegou a apresentar as informações que garantem que medidas sanitárias eficazes tenham sido implementadas.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) repudiou a decisão da União Europeia de criar barreiras à importação de carnes, mel e subprodutos de origem animal vindos do Brasil. "É um profundo desrespeito que, após 25 longos anos de negociações entre a União Europeia e o Mercosul, com tudo acertado e alinhado entre as partes, o bloco europeu decida mudar as regras do jogo de forma casuística", afirmou a entidade. "Começam agora a surgir salvaguardas descabidas e arbitrárias, que não possuem qualquer lastro ou respaldo técnico e científico. Trata-se de uma manobra burocrática para criar travas artificiais ao comércio internacional." De acordo com a Faesp, a medida é discriminatória.

"O pretexto europeu, focado no uso de antibióticos, cai por terra diante dos fatos: os rebanhos de concorrentes diretos como os Estados Unidos, a Austrália e da Nova Zelândia utilizam rigorosamente os mesmos produtos fitossanitários e, convenientemente, não sofreram qualquer tipo de restrição, bloqueio ou veto por parte da União Europeia. Essa disparidade de tratamento escancara um protecionismo comercial unilateral direcionado especificamente para tentar frear a nossa competitividade." A Faesp cobra do governo federal "pulso mais firme em sua diplomacia comercial" e uma posição mais firme do bloco. "É vital e urgente que a Argentina e o Uruguai se juntem a nós para construir um posicionamento regional unificado e robusto que demonstre a verdadeira força e o peso político-econômico do Mercosul. Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta", disse a entidade.

O Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) afirmou que a decisão da União Europeia de suspender as importações de carne bovina do Brasil não condiz com a realidade do sistema produtivo nacional e estadual. Em posicionamento oficial, a entidade ressaltou que tanto o País quanto o Estado contam com um elevado status sanitário e uma robusta organização da cadeia pecuária, amparados inclusive pelo reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação. Diante do impasse comercial, a federação informou que vai cobrar do governo federal o envio urgente de todas as informações necessárias para sanar as exigências do bloco europeu, evitando a interrupção das vendas em setembro. A restrição atinge bovinos, aves, equídeos, peixes da aquicultura, mel e tripas.

Em 2025, os embarques dessas proteínas para a União Europeia geraram uma receita de US$ 1,8 bilhão, inseridos em um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para o bloco. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que as negociações diplomáticas continuam para tentar reverter a barreira, com tratativas recentes ocorridas na reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) ponderaram que a medida da União Europeia não aponta problemas de desconformidade sanitária no campo, mas sim uma divergência burocrática sobre a validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.