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08/Jun/2026

Lácteos: importações ampliam déficit da balança

O comércio exterior brasileiro de lácteos registrou aumento tanto nas importações quanto nas exportações em maio, mas o avanço mais intenso das compras externas ampliou o déficit da balança comercial do setor. As importações somaram 220,3 milhões de litros em equivalente-leite, enquanto as exportações alcançaram 5,8 milhões de litros em equivalente-leite, resultando em saldo negativo de 214,6 milhões de litros em equivalente-leite. O déficit registrado em maio superou o observado em abril, refletindo principalmente o crescimento do volume importado. As importações avançaram 3,5% em relação ao mês anterior e ficaram 28,2% acima do registrado em maio de 2025, evidenciando a manutenção de elevados níveis de entrada de produtos lácteos no mercado brasileiro. A competitividade dos produtos importados continua sendo sustentada pelos preços internacionais e pelo comportamento do câmbio.

A valorização do Real frente ao dólar reduz os custos de aquisição externa e aumenta a atratividade dos derivados importados em comparação aos produtos nacionais, ampliando a pressão competitiva sobre a cadeia leiteira brasileira. Entre os principais produtos importados, os iogurtes apresentaram o maior crescimento, com aumento de 100% no volume adquirido, impulsionado principalmente pelos embarques originados nos países do Mercosul. Os queijos registraram expansão de 2%, com destaque para fornecedores europeus, especialmente França, Itália e Holanda. O movimento ocorre em um contexto de maior aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia e de câmbio favorável às importações. O leite em pó integral, um dos produtos mais relevantes da pauta importadora, registrou crescimento de 1% em relação a abril. O leite em pó desnatado avançou 12%, passando a representar 14% do total importado de lácteos no mês.

Em sentido contrário, as importações de soro de leite recuaram 6% na comparação mensal. As exportações brasileiras apresentaram recuperação em maio, com crescimento de 46% frente aos 3,9 milhões de litros em equivalente-leite embarcados em abril. Ainda assim, o volume exportado permaneceu 20% abaixo dos 7,2 milhões de litros em equivalente-leite registrados em maio de 2025, indicando que a competitividade dos produtos brasileiros segue limitada no mercado internacional. O soro de leite manteve a liderança entre os produtos exportados, com crescimento de 37% nos embarques e participação de 35% na pauta exportadora de lácteos. A manteiga registrou avanço de 72% e respondeu por 12% das exportações totais. O leite condensado apresentou crescimento de 74% em relação ao mês anterior e representou 17% dos embarques brasileiros. As perspectivas para os próximos meses indicam manutenção de volumes elevados de importação caso o dólar permaneça em patamares mais baixos e os preços internacionais continuem competitivos.

Nesse cenário, a entrada de derivados tende a seguir intensa, especialmente em categorias com forte participação na pauta importadora, como leites em pó e queijos. A continuidade desse fluxo pode limitar movimentos mais expressivos de valorização dos preços no mercado interno, aumentando a concorrência para a indústria nacional e para os produtores de leite. Ao mesmo tempo, a evolução das exportações dependerá da recuperação da competitividade brasileira no mercado internacional, da dinâmica cambial e do comportamento da produção doméstica. O cenário reforça a necessidade de monitoramento dos fluxos de comércio exterior, uma vez que a combinação entre importações elevadas e exportações ainda limitadas mantém a pressão sobre o equilíbrio do mercado lácteo brasileiro e sobre a formação de preços ao longo da cadeia produtiva. Fonte: MilkPoint. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.