03/Jun/2026
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avaliou como um marco histórico a decisão da China de reconhecer todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. O anúncio foi formalizado por meio de comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), encerrando um processo de negociações sanitárias conduzido ao longo de mais de duas décadas. A medida representa um avanço relevante para o comércio bilateral de proteína animal, elevando os níveis de segurança jurídica e previsibilidade das operações comerciais entre os dois países. A avaliação é de que o reconhecimento fortalece a competitividade da cadeia pecuária brasileira e amplia as oportunidades de expansão das exportações.
A Abiec atribui o resultado ao trabalho conjunto de produtores rurais, indústrias frigoríficas, serviços veterinários oficiais e órgãos de defesa agropecuária. A entidade também destaca a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na consolidação do sistema sanitário nacional e o apoio diplomático do Ministério das Relações Exteriores nas negociações com as autoridades chinesas. O reconhecimento ocorre após o Brasil ter obtido, em junho de 2025, o status de território livre de febre aftosa sem vacinação concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Com a validação chinesa, a expectativa do setor exportador é acelerar tratativas para ampliar o portfólio de produtos habilitados ao mercado asiático.
Entre os segmentos com potencial de expansão estão as exportações de carne bovina com osso, miúdos e subprodutos de uso farmacêutico, incluindo matérias-primas derivadas da vesícula biliar. O reconhecimento também se soma à decisão chinesa de fevereiro de 2026 que classificou o Brasil como país de risco negligenciável para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB). A China permanece como o principal destino das exportações brasileiras de carnes. Em 2025, os embarques para o país asiático totalizaram 2,057 milhões de toneladas, gerando receita de US$ 9,815 bilhões. O novo reconhecimento sanitário tende a ampliar a confiança dos importadores chineses, fortalecer o posicionamento da carne bovina brasileira no mercado internacional e criar condições para a expansão das vendas de produtos de maior valor agregado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.