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02/Jun/2026

Carnes: suspensão do produto brasileiro pela UE

Em 12 de maio, o comitê permanente para plantas, animais, alimentos e ração (PAFF) da Comissão Europeia aprovou, por votação unânime dos Estados membros, a atualização da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano ao bloco. O Brasil foi retirado dessa lista, tornando-se o primeiro país do mundo a ser removido sob as novas regras antimicrobianas da União Europeia (UE). A nova lista inclui 21 novos países habilitados e autoriza exportações adicionais a outros cinco. Apenas o Brasil, entre as nações do Mercosul, foi excluído. A medida passa a valer a partir de 3 de setembro de 2026, e ainda depende de publicação formal no diário oficial da União Europeia para produzir efeitos legais definitivos. Desde 2022, a UE proíbe o uso de antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de rendimento na pecuária; o uso terapêutico continua permitido sob regras veterinárias.

Assim como a utilização de antibióticos reservados exclusivamente a tratamentos humanos. O objetivo central da medida é combater a resistência antimicrobiana, fenômeno em que bactérias passam a resistir a medicamentos essenciais de uso humano, um dos maiores riscos de saúde pública global. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de conformidade com essas exigências ao longo de toda a cadeia produtiva. Não sendo necessariamente a presença de resíduos na carne, mas a ausência de comprovação documental, rastreabilidade e certificação sanitária. A suspensão ocorre simultaneamente com a entrada provisória em vigor do acordo comercial, que previa redução tarifária para carnes.

Caso o Brasil permaneça fora da lista sanitária, perderá acesso às condições preferenciais do próprio acordo que ajudou a negociar. Uma ressalva é que no documento disponibilizado pela UE Argentina, Paraguai e Uruguai permaneceram habilitados à exportação - países que possuem estruturas sanitárias menos robustas do que a brasileira. O cumprimento das exigências europeias demandará investimentos em sistemas avançados de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, para a consolidação dos requisitos impostos. Em 2025, o Brasil exportou à UE 108,6 mil toneladas de carne bovina, equivalente a 3,5% da exportação total e 5,5% do faturamento, com preço médio de US$ 8.397,00 por tonelada. No primeiro quadrimestre de 2026, os embarques ao bloco foram de 28,8 mil toneladas, alta de 20,0% sobre o mesmo período de 2025. Correspondeu a 3,0% do volume e 4,6% do faturamento total no período.

Cinco Estados (Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais) responderam por cerca de 98,0% do faturamento obtido com a exportação para o bloco nos dois períodos analisados. Caso o veto seja mantido, o impacto será na balança comercial e nas margens dos frigoríficos. O Brasil tem capacidade de absorver essa carne, 108,6 mil toneladas representam 3,5% do total exportado. De modo que o risco não está na falta de destino, mas na perda de um mercado que remunera US$ 8.397,00/tonelada, patamar significativamente superior ao vigente para destinos substitutos. Apesar disso, a probabilidade de reversão antes de setembro é plausível, dado o interesse mútuo na manutenção do fluxo comercial, sobretudo com o acordo Mercosul-UE em vigor. Fonte: Alcides Torres. Broadcast Agro.