01/Jun/2026
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico no mercado brasileiro, insumo considerado estratégico para a fabricação de suplementos minerais utilizados na alimentação bovina. A possível escassez pode impactar diretamente a pecuária de Mato Grosso, concentrada no maior rebanho bovino do País. Levantamento realizado junto a empresas de nutrição animal, fabricantes de suplementos minerais e produtores rurais aponta risco de falta de sal mineral para bovinos nos próximos dias. O cenário ocorre em meio à elevação dos custos de produção e amplia a preocupação entre pecuaristas de corte e leite.
O problema é atribuído à combinação entre insuficiência da produção nacional, elevada dependência de importações, restrições na oferta internacional, impactos geopolíticos sobre cadeias logísticas e priorização do abastecimento interno por parte de alguns países exportadores. Além do risco de escassez, observa-se aumento expressivo nos preços dos concentrados utilizados na engorda animal e dos suplementos minerais, com expectativa de novos reajustes nos próximos meses. O movimento intensifica a pressão financeira sobre os produtores, que já enfrentam margens mais apertadas e redução dos preços pagos pela indústria frigorífica.
A deficiência mineral compromete diretamente o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho, afetando ganho de peso, fertilidade, imunidade, produção de leite e índices reprodutivos. A entidade avalia que a ausência de suplementação adequada reduz a eficiência das propriedades, eleva riscos sanitários e impacta toda a cadeia pecuária. A preocupação também alcança a agricultura. O encarecimento e a possível escassez de insumos fosfatados evidenciam a vulnerabilidade estrutural do agronegócio brasileiro em relação à dependência externa de matérias-primas estratégicas. Em Mato Grosso, líder nacional na produção de grãos, fibras e carne, eventuais problemas de abastecimento podem elevar custos operacionais, comprometer o planejamento das propriedades e reduzir a competitividade do setor.
Entre as medidas defendidas estão a redução temporária ou isenção das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, diminuição da carga tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal, desburocratização alfandegária, agilização na liberação de produtos nas fronteiras e ampliação das negociações com países fornecedores, incluindo a Bolívia. A Famato também defende maior avanço do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050 como estratégia para reduzir a dependência externa do Brasil em insumos considerados essenciais à produção agropecuária. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.