01/Jun/2026
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) de suspender a aplicação imediata de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. Embora o colegiado tenha reconhecido a prática de dumping nas importações provenientes do Mercosul, a adoção das tarifas foi postergada para avaliação dos possíveis impactos sobre a inflação de alimentos e das repercussões diplomáticas no bloco regional. Segundo a FPA, a decisão mantém pressão sobre a cadeia produtiva brasileira, especialmente em regiões produtoras de leite. A entidade argumenta que o leite em pó importado chega ao mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos em razão de subsídios, incentivos fiscais e políticas de apoio adotadas pelos países vizinhos.
De acordo com a bancada, os preços do produto importado estão cerca de 53% abaixo do produto nacional, com margem de dumping superior a 60%. A investigação sobre a prática de dumping nas exportações de leite da Argentina e do Uruguai foi aberta no fim de 2024 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), após solicitação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A FPA aponta que a pressão das importações tem provocado deterioração das margens da atividade leiteira no Brasil. Dados apresentados pela entidade indicam recuo de 20% no preço do leite pago ao produtor nacional. Em estados como Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, os produtores estariam recebendo menos de R$ 2,00 por litro, enquanto os custos de produção superam R$ 2,40 por litro.
A ampliação das importações destinadas à reidratação pela indústria nacional tem contribuído para o agravamento da crise no setor. O cenário estaria resultando em fechamento de propriedades, aumento do abate de vacas leiteiras e saída de pequenos e médios produtores da atividade. A Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite destacou que o setor brasileiro enfrenta ambiente de custos elevados, marcado por juros altos, carga tributária e dificuldades logísticas, enquanto países vizinhos contam com mecanismos de incentivo à produção e à exportação. A FPA defende a adoção de instrumentos de defesa comercial para reduzir os impactos sobre a cadeia produtiva nacional e pretende levar novamente o tema à próxima reunião do Gecex/Camex, prevista para 25 de junho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.