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22/May/2026

Leite: preço produtor sobe com restrições na oferta

O preço do leite pago ao produtor na “Média Brasil” (Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) registrou alta de 10,5% em março de 2026 na comparação com fevereiro, marcando o terceiro mês consecutivo de valorização e confirmando a tendência de recuperação das cotações diante da redução da oferta no campo. O indicador atingiu R$ 2,3924 por litro, embora ainda permaneça 18,7% abaixo do nível observado em março de 2025, em termos reais. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o preço médio do leite apresentou alta de 17,6%, com valor médio de R$ 2,2038 por litro, ainda 23,6% inferior ao mesmo período do ano anterior, considerando deflacionamento pelo IPCA. O movimento de valorização é atribuído ao aumento da concorrência entre laticínios pela aquisição de matéria-prima, em um contexto de oferta mais restrita no campo.

A captação de leite medida pelo ICAP-L recuou 3,9% entre fevereiro e março, acumulando queda de 11,1% no primeiro trimestre, refletindo fatores sazonais e menor estímulo à produção em função de margens mais estreitas em períodos anteriores. As condições climáticas afetaram a disponibilidade de pastagens, enquanto custos de produção e cautela de investimentos limitaram a expansão da atividade. Apesar de leve melhora na relação de troca entre leite e milho, com avanço de 6,3% em março frente a fevereiro, os custos operacionais da atividade seguiram em elevação. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 1,1% em abril e acumula alta de 3,24% no ano, impulsionado por despesas com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas. No mercado de derivados, a restrição de oferta e estoques mais ajustados sustentaram altas no atacado paulista em abril. O leite UHT registrou valorização de 20,17%, a muçarela avançou 12,65% e o leite em pó fracionado subiu 1,52% em relação a março.

Em maio, o ritmo de alta perdeu força, com sinais de demanda mais enfraquecida e maior cautela nas negociações. No comércio exterior, as importações brasileiras de lácteos recuaram 10% em abril, enquanto as exportações caíram 28,7% no mesmo período. Apesar disso, as compras externas acumulam alta de 34,1% em relação ao ano anterior, enquanto os embarques recuam 14% na mesma base comparativa, indicando assimetria entre fluxos de entrada e saída. A perspectiva para os próximos meses indica manutenção de tendência de valorização, mas com possível perda de intensidade a partir de maio, diante de resistência do consumo ao repasse de preços ao varejo, expectativa de reação da produção e maior cautela da indústria em novos reajustes ao produtor. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.