21/May/2026
Brasil e Austrália intensificaram negociações com autoridades da China para ampliar as cotas de exportação de carne bovina destinadas aos dois países em 2026. O movimento ocorre diante da rápida utilização dos limites estabelecidos pelo sistema implementado pela China em dezembro do ano passado, que prevê tarifa de 55% sobre os volumes embarcados acima das cotas autorizadas. O sistema tarifário chinês pode inviabilizar economicamente os embarques excedentes, elevando a preocupação dos principais fornecedores globais de carne bovina ao mercado chinês. Brasil e Austrália estão entre os países mais próximos de atingir integralmente suas cotas anuais, o que poderia interromper parte relevante do fluxo comercial ainda antes do encerramento de 2026.
As negociações em curso envolvem pedidos para ampliação dos volumes autorizados ou redistribuição de cotas não utilizadas por outros países exportadores. Integrantes dos governos brasileiro e australiano mantêm reuniões nesta semana na China com representantes do governo chinês para discutir alternativas que permitam continuidade dos embarques. O avanço das exportações brasileiras ao mercado chinês já vinha sendo observado ao longo do primeiro quadrimestre de 2026. Dados oficiais compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostraram que o Brasil embarcou 612,868 mil toneladas de carne bovina in natura entre janeiro e abril, volume equivalente a 55,4% da cota anual brasileira de 1,106 milhão de toneladas.
A Austrália também opera próxima do limite disponível. Dados recentes indicaram utilização de cerca de 69,96% da cota anual australiana nos primeiros quatro meses do ano, elevando o risco de esgotamento antecipado dos volumes autorizados. A China permanece como principal destino global da carne bovina brasileira e australiana, em um ambiente de demanda ainda elevada e restrições de oferta em diversos países exportadores. O avanço das cotas passou a representar fator estratégico para a manutenção do fluxo comercial e para a sustentação das exportações dos principais fornecedores do mercado chinês. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.