ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

21/May/2026

Suíno: Brasil poderá exportar miúdos para China

Brasil e China acordaram protocolo sanitário para exportação de miúdos suínos brasileiros para o mercado asiático, informou o Ministério da Agricultura. A assinatura do documento ocorreu durante reunião do ministro da Agricultura, André de Paula, com a ministra da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), Sun Meijun, realizada no dia 19 de maio em Pequim. O avanço das tratativas era aguardado pela indústria de proteína animal. Na prática, o acordo trata sobre o entendimento técnicos dos países quanto aos requisitos sanitários e quarentenários para exportação dos miúdos suínos brasileiros estão definidos. A abertura de mercado, em si com a versão assinada nas línguas oficiais de cada país, deve ser formalizada em "momento oportuno".

Os países revisaram o protocolo geral de exportação de carne suína, com a inclusão dos miúdos no rol de produtos permitidos à exportação. "Trata-se de um resultado positivo do diálogo técnico e da cooperação construídos entre nossas instituições ao longo dos últimos anos. Esse avanço representa uma importante conquista sanitária e comercial para ambos os países e reflete o elevado nível de confiança e cooperação entre Brasil e China", disse De Paula no encontro. Após a formalização do protocolo, a Pasta poderá orientar as empresas brasileiras na realização dos preparativos técnicos necessários para embarques dos subprodutos suínos, enquanto a GACC dará continuidade aos procedimentos internos para viabilizar o comércio.

A China hoje é o terceiro principal destino da carne suína brasileira, com 159 mil toneladas exportadas no ano passado, gerando receita de US$ 363,914 milhões. As tratativas bilaterais para exportação de miúdos suínos se intensificaram há cerca de um ano, após missão presidencial ao país asiático. O interesse brasileiro deve-se ao potencial do mercado chinês, considerado como remunerador e importante consumidor dos subprodutos suínos, e ao fato de que são produtos com baixo valor agregado no mercado doméstico. Atualmente, o Brasil está apto a exportar apenas miúdos suínos externos para a China, como patas com liberação válida somente para produtos provenientes de Santa Catarina. No ano passado, o Brasil exportou apenas 21,5 mil toneladas de miúdos de suínos externos para o país asiático, somando US$ 62,817 milhões. A China importa cerca de US$ 2,6 bilhões de miúdos de suínos por ano, aproximadamente 30% do total internalizado de carne suína pelo país.

A importação chinesa de miúdos soma cerca de 100 mil toneladas por mês, chegando a 1,2 milhão de toneladas por ano, sobretudo do Canadá, dos Estados Unidos e da União Europeia. A China busca diversificar seu fornecimento de carne suína e miúdos em meio às tarifas antidumping sobre a carne suína europeia e às sobretaxas aplicadas sobre os produtos canadenses e norte-americanos. No encontro bilateral com a autoridade sanitária chinesa, De Paula ressaltou também que a parceria entre Brasil e China gera benefícios para ambos os países. "O Brasil segue comprometido em atuar como fornecedor confiável de alimentos seguros, de alta qualidade e competitivos para a China, produzidos sob rigorosos padrões sanitários e ambientais. Ao mesmo tempo, reconhecemos a China como parceira estratégica fundamental para o agronegócio brasileiro, inclusive no fornecimento de insumos essenciais à nossa produção agrícola", afirmou.

A GACC afirmou que, apesar da forte indústria agrícola chinesa, o país possui um "mercado de enorme potencial" e permanece aberto à importação de produtos estrangeiros de qualidade. O comércio agroalimentar representa uma parcela importante do intercâmbio bilateral. Em 2025, a China importou US$ 51,4 bilhões em produtos agrícolas do Brasil, o que corresponde a cerca de 50% do comércio total entre os dois países. A China é hoje o principal destino das exportações de produtos agropecuários do Brasil, perfazendo cerca de um terço dos embarques anuais do agronegócio brasileiro. As vendas de produtos agropecuários ao mercado chinês somaram US$ 55,3 bilhões em 2025 Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.