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20/May/2026

Boi: exportação de carne bate recorde para abril

As exportações brasileiras de carne e derivados bovinos registraram valor recorde para o mês de abril de 2026, sustentadas principalmente pela valorização dos preços internacionais e pelo avanço das receitas em ritmo superior ao crescimento físico dos embarques. Segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o faturamento alcançou US$ 1,743 bilhão em abril, alta de 28% em relação ao mesmo mês de 2025. O volume embarcado somou 319,23 mil toneladas, crescimento de 4% na mesma comparação. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, as exportações totais de carne e derivados bovinos atingiram US$ 6,083 bilhões, avanço de 31% frente ao mesmo período do ano anterior. Em volume, os embarques chegaram a 1,146 milhão de toneladas, crescimento de 9%.

A carne bovina in natura, responsável por 91% das exportações do setor, totalizou US$ 5,552 bilhões entre janeiro e abril, alta de 35% sobre igual intervalo de 2025. O volume embarcado alcançou 952,74 mil toneladas, aumento de 15,43%. A China ampliou sua liderança como principal destino da proteína bovina brasileira. Entre janeiro e abril, o país importou 461.185 toneladas, crescimento de 19,4%, enquanto a receita avançou 42,9%, para US$ 2,693 bilhões. A participação chinesa atingiu 44,3% do faturamento total das exportações do setor, acima dos 40,6% registrados em 2025. Considerando apenas a carne bovina in natura, a participação chinesa subiu para 48,5% das exportações brasileiras no primeiro quadrimestre de 2026, ante 45,85% no mesmo período do ano anterior.

O avanço das vendas à China, no entanto, elevou a preocupação do setor em relação ao limite da quota estabelecida pelo governo chinês no âmbito das medidas de salvaguarda aplicadas às importações de carne bovina. Estimativas indicam que o Brasil já utilizou aproximadamente 70% da quota de 1,106 milhão de toneladas até abril de 2026. Com isso, restariam cerca de 330 mil toneladas disponíveis para embarques sem incidência da tarifa extraquota de 55%, volume equivalente a pouco mais de dois meses de exportações brasileiras para o mercado chinês, caso seja mantido o ritmo atual de vendas. O cenário aumenta a atenção da cadeia produtiva diante da possibilidade de perda de competitividade nos embarques ao principal destino da proteína bovina brasileira.

Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição entre os principais mercados importadores. As vendas de carne bovina in natura cresceram 14,7% em receita entre janeiro e abril, alcançando US$ 814,57 milhões, enquanto o volume embarcado avançou 14,24%, para 135,64 mil toneladas. Considerando todos os derivados bovinos, as exportações ao mercado norte-americano atingiram US$ 1,007 bilhão, alta de 16,7%. O Chile apresentou uma das expansões mais consistentes entre os principais compradores, com crescimento de 24,1% no volume embarcado e avanço de 35% no faturamento, totalizando US$ 286,1 milhões. A Rússia voltou a ampliar participação nas compras da proteína bovina brasileira, alcançando a quarta posição entre os importadores.

Os embarques cresceram 46,9%, para 40.245 toneladas, enquanto a receita aumentou 61,7%, atingindo US$ 178,4 milhões. Na Europa, os Países Baixos consolidaram posição como importante porta de entrada da carne brasileira no continente. As exportações avançaram 319,7% em volume, para 28.883 toneladas, enquanto o faturamento cresceu 123,5%, alcançando US$ 148,3 milhões. No Oriente Médio, Egito e Emirados Árabes Unidos mantiveram trajetória positiva. As exportações ao Egito cresceram 53% em receita, para US$ 130,4 milhões, enquanto os Emirados registraram alta de 53,5%, para US$ 92 milhões. No Sudeste Asiático, a Indonésia apresentou forte expansão das importações, com crescimento de 788,9% no volume embarcado, passando de 1.687 toneladas para 15 mil toneladas.

A receita avançou 412,5%, para US$ 41 milhões. Em sentido oposto, a Argélia registrou a maior retração entre os principais mercados, com queda de 59,4% no faturamento, para US$ 54 milhões. Também houve recuos em mercados tradicionais, como Arábia Saudita, Reino Unido, Singapura e Espanha. Regionalmente, o Extremo Oriente permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com receitas de US$ 2,86 bilhões, alta de 43%, impulsionadas pela demanda chinesa. O Sudeste Asiático ampliou em 33% suas compras em valor, enquanto a Europa Ocidental avançou 42%, favorecida principalmente pela expansão das vendas aos Países Baixos. No consolidado do período, 112 países elevaram suas importações de carne bovina brasileira, enquanto 52 reduziram suas aquisições. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.