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19/May/2026

Boi: Brasil busca flexibilizar cota de carne à China

O governo brasileiro negocia com a China a flexibilização da cota de carne bovina ao Brasil isenta de sobretaxa e a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros. Os temas estão na pauta da delegação brasileira no país asiático. O ministro da Agricultura, André de Paula, desembarcou na China no domingo (17/05), onde participa da Sial China em Shangai, maior feira de alimentos da Ásia, e de reuniões bilaterais com as autoridades chinesas. A missão é acompanhada por representantes do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A China é hoje o principal destino das exportações de produtos agropecuários do Brasil, perfazendo cerca de um terço dos embarques anuais do agronegócio brasileiro. As vendas de produtos agropecuários ao mercado chinês somaram US$ 55,3 bilhões em 2025.

Entre 2019 e 2025, a China deu aval à entrada de mais 12 produtos agropecuários brasileiros, incluindo carne de aves e derivados, DDG de milho (coproduto da indústria de etanol, utilizado na ração animal), farelo de amendoim, farinhas e óleos de origem animal e de pescado, gergelim, noz-pecã, pescado, sorgo e uvas. O governo quer ampliar a presença dos produtos do agronegócio brasileiro, identificar oportunidades de negócios e fortalecer a cooperação em temas sanitários e fitossanitários. Antes de embarcar à sua primeira missão internacional, De Paula disse que atende a um pedido do setor de estar presente na Sial China. A presença do governo é um gesto importante. Além disso, o ministro terá reunião com sua contraparte na China para se apresentar e seguir avançando nas conversas. No domingo (17/05), ele participou do Seminário Brasil-China de Agronegócio, que reuniu empresários e representantes dos setores público e privado dos dois países.

"Esta é a primeira etapa da minha primeira viagem internacional à frente do Ministério da Agricultura, e a escolha da China não é por acaso. Trata-se do principal parceiro comercial do Brasil. Tivemos a oportunidade de aproximar importadores chineses e empresários brasileiros, fortalecendo o diálogo e criando novas oportunidades de negócios", disse no evento. Na agenda ainda estão previstas reuniões com as contrapartes chinesas, incluindo encontros com Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais, Ministério do Comércio (Mofcom) e Administração Geral de Alfândegas da China (GACC). Um dos principais focos da delegação oficial do governo e do setor privado é avançar na negociação para flexibilização da cota de carne bovina destinada ao Brasil sem incidência de sobretaxa no âmbito da salvaguarda chinesa imposta pelo país asiático sobre a carne bovina de vários produtores.

De acordo com o governo chinês, o Brasil já utilizou 50% da cota de 1,106 milhão de toneladas de proteína vermelha que poderá ser exportada ao longo deste ano sem a incidência da sobretaxa de 55%. A quantidade é 600 mil toneladas inferior à embarcada pelo Brasil à China no último ano. O pleito do Brasil é pelo redirecionamento de volumes que tendem a não ser utilizados por outros fornecedores, estimado em 500 mil toneladas. "Desde a imposição da salvaguarda, em várias agendas formais, ressaltamos a disposição do Brasil, caso alguns países não consigam atender os volumes destinados pela China na cota global de 2,7 milhões de toneladas. O pedido é que volumes não utilizados sejam disponibilizados a países que tenham oferta. Um exemplo são os Estados Unidos que ainda não utilizaram a cota de 164 mil toneladas sem sobretaxa destinada à proteína norte-americana. Independente de os frigoríficos dos Estados Unidos terem sido reabilitados pela China, há questões de oferta nos Estados Unidos, sobretudo de cortes dianteiros, que limitam o cumprimento da cota.

A redistribuição das cotas geralmente ocorre ao fim dos nove meses de aplicação, com tempo hábil para importadores e exportadores concluírem vendas, embarque e desembaraço aduaneiro e alfandegário. O Brasil também vai reforçar os pedidos de medidas compensatórias para minimizar o impacto decorrente da salvaguarda à carne bovina. São elas: o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após o País ter obtido o status sanitário pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA); o reconhecimento do Brasil como país de risco insignificante para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), doença popularmente conhecida como "mal da vaca louca"; o aceite da regionalização para gripe aviária; e abertura do mercado chinês para miúdos bovinos, carne bovina com osso, miúdos suínos e miúdos de aves do Brasil (estes não estão contemplados na salvaguarda, e portanto, não seriam contabilizados na cota brasileira).

As medidas foram apresentadas à China em janeiro deste ano e não há prazo para resposta do governo chinês. Além das questões relacionadas diretamente à salvaguarda da carne bovina, a ampliação e abertura de novos mercados também estará presente nas discussões bilaterais. As tratativas para abertura da China para pedra de fel (cálculo da vesícula biliar de bovinos) do Brasil e para farinhas de proteínas animais estão avançadas do ponto de vista técnico, com possibilidade de anúncios. A liberação chinesa para entrada da pedra de fel (um cálculo biliar que se forma na vesícula biliar de bovinos e que é utilizado para fins terapêuticos) é aguardada pelo setor produtivo brasileiro desde maio do ano passado. A expectativa foi renovada após missão das autoridades sanitárias asiáticas ao país em setembro.

O produto é de interesse da indústria farmacêutica chinesa e de alto valor agregado, podendo chegar a US$ 200 mil por quilo. A pauta bilateral entre Brasil e China inclui mais de 50 itens em negociação no âmbito do setor agropecuário. A lista de pedidos brasileiros aos chineses inclui a abertura de mercado para carne bovina com osso, miúdos de aves, suínos e bovinos, farelo de amendoim, lima ácida, arroz, etanol. A sincronia na aprovação de transgênicos (biotecnologia) também integra a agenda. A revisão do protocolo de encefalopatia espongiforme bovina (EEB, doença popularmente conhecida como "mal da vaca louca") e da regionalização da influenza aviária também estão em fase de discussão técnica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.