19/May/2026
O primeiro levantamento de intenções de confinamento de 2026 do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontou forte expansão da atividade em Mato Grosso. A expectativa é de confinamento de 1,44 milhão de cabeças ao longo do ano, volume 55,39% superior ao consolidado de 2025, quando foram terminadas 928,7 mil cabeças. O crescimento é liderado pelos confinamentos de grande porte. Estruturas com capacidade acima de 5 mil cabeças deverão responder por 80,92% do total previsto em 2026, equivalente a cerca de 1,17 milhão de bovinos, avanço de 21,83% em relação ao ano passado. Entre os participantes do levantamento realizado em abril, 80,85% indicaram intenção de confinar animais em 2026, enquanto 12,77% afirmaram que não utilizarão o sistema e 6,38% ainda não haviam definido a estratégia no momento da pesquisa. A maior concentração de confinamento deverá ocorrer na região oeste, com previsão de 407,9 mil cabeças, seguida pela região norte, com 333,5 mil cabeças.
As regiões nordeste e sudeste também registraram crescimento expressivo nas intenções de confinamento. O levantamento apontou melhora nas condições econômicas da atividade. O custo médio da diária confinada recuou 0,53% frente a 2025, para R$ 13,08 por cabeça ao dia, influenciado principalmente pela retração dos preços dos insumos, especialmente do milho. O cereal apresentou desvalorização de 10,18% no comparativo anual, com média de R$ 46,28 por saca de 60 Kg. Ao mesmo tempo, o boi gordo acumulou valorização de 6,79% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 325,52 por arroba. Com isso, a relação de troca boi/milho avançou para 7,03 sacas de 60 Kg por arroba, alta anual de 18,9% e melhor patamar dos últimos anos para os confinadores. Apesar do cenário mais favorável, o custo de reposição segue como principal preocupação do setor. O preço dos bovinos de reposição foi citado por 35,59% dos entrevistados como principal fator de atenção, diante da desaceleração nos abates de fêmeas e da possibilidade de retenção de matrizes, movimento que pode reduzir a oferta de bezerros e pressionar preços nos próximos meses.
As questões políticas apareceram em segundo lugar entre as preocupações dos pecuaristas, mencionadas por 20,34% dos participantes, seguidas pela volatilidade dos preços do boi gordo, apontada por 15,25%. O levantamento também registrou avanço no uso de mecanismos de proteção de preços. Os confinadores ampliaram a utilização de operações de hedge e acordos antecipados com frigoríficos em 2026, diante do aumento das incertezas econômicas e geopolíticas globais. O percentual de produtores que utilizam contratos a termo alcançou 38,71%, enquanto as operações via B3 chegaram a 3,7%. O estudo reforçou ainda a concentração da oferta de animais confinados no segundo semestre. Entre julho e dezembro deverão ser encaminhados para abate 82,6% dos bovinos terminados em confinamento no Estado, com pico de entregas entre outubro e novembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.