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18/May/2026

Boi: indústria busca reduzir dependência da China

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 de JBS, BRF e Minerva Foods mostraram uma estratégia mais focada em diversificação geográfica e arbitragem comercial diante da expectativa de esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira no segundo semestre. A cota chinesa está limitada a 1,1 milhão de toneladas, volume inferior aos embarques realizados pelo Brasil no ano passado. Diante desse cenário, as companhias passaram a enfatizar mercados alternativos, como Estados Unidos, Oriente Médio e Sudeste Asiático, além do fortalecimento das operações em outros países da América do Sul. A Minerva Foods trabalha com a expectativa de esgotamento da cota chinesa no terceiro trimestre, mas sem impacto relevante no volume exportado. A companhia pretende compensar parte da redução dos embarques brasileiros com operações na Argentina, Uruguai e Colômbia. China e Estados Unidos responderam, respectivamente, por 24% e 18% da receita de exportação de carne bovina da Minerva no primeiro trimestre.

No acumulado de 12 meses, a Ásia concentrou 36% das exportações da empresa, seguida pela América do Norte, com 21%, Oriente Médio, com 10%, e União Europeia, com 9%. A companhia informou que os embarques cresceram 24% em volume e 7,7% em preços na comparação anual, enquanto os mercados externos responderam por aproximadamente 55% da receita bruta. A BRF continuará atendendo clientes chineses com produção proveniente do Uruguai e da Argentina após o fim da cota brasileira. A companhia também destacou o avanço das exportações de aves e produtos halal. Segundo a BRF, março registrou recorde de exportações diretas de aves e suínos, impulsionado pela retomada dos embarques para a União Europeia e pela volta das exportações de frango do Rio Grande do Sul para a China. No Oriente Médio, a Sadia Halal encerrou o trimestre com margem Ebitda recorde de 15,6%. A BRF informou ainda que acumulou quase 200 novas habilitações de exportação até 2025 e adicionou novas autorizações em 2026. A JBS afirmou que será necessário ampliar a atuação em outros destinos após o encerramento das cotas chinesas, com destaque para o mercado norte-americano.

O aumento do preço do boi gordo no primeiro semestre foi impulsionado pela aceleração das compras chinesas para preenchimento da cota. Com o encerramento desse movimento, a expectativa é de acomodação dos preços do boi gordo no Brasil. A JBS também destacou o fortalecimento da estratégia voltada ao mercado interno, com expansão da marca Friboi Reserva e aumento da participação de produtos de maior valor agregado. Os Estados Unidos passaram a ocupar posição estratégica para as exportadoras brasileiras em meio à restrição da oferta de gado no mercado americano. Apesar disso, o ambiente operacional no país segue pressionado. A JBS registrou Ebitda negativo de US$ 230 milhões na operação Beef North America, enquanto a National Beef, da BRF, encerrou o trimestre com margem de 0,3%. O segundo semestre deverá testar a capacidade das exportadoras brasileiras de redirecionar volumes e ampliar a arbitragem entre mercados diante do esgotamento da cota chinesa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.