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18/May/2026

Carnes: MBRF divulga resultado do 1º trimestre/26

A MBRF encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 111 milhões, alta de 26% ante igual período do ano passado. A receita líquida consolidada somou R$ 39,5 bilhões, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre de 2025. O Ebitda ajustado atingiu R$ 3,1 bilhões, queda de 3,2%. A margem Ebitda foi de 7,8%, ante 8,1% um ano antes. A companhia informou que avançou na captura de sinergias da integração entre os negócios de Marfrig e BRF. Foram R$ 126 milhões capturados no trimestre, equivalente a cerca de 20% da meta prevista para todo o ano de 2026. O programa MBRF+, focado em eficiência operacional, adicionou outros R$ 296 milhões em ganhos no período. "Já começamos o ano com boas entregas. A união dos negócios já contribuiu com uma captura de R$ 126 milhões no primeiro trimestre”, afirmou o CEO da MBRF, Miguel Gularte.

No consolidado, a companhia registrou resultado financeiro negativo de R$ 1,39 bilhão no trimestre, piora de 3,2% em relação ao resultado negativo de R$ 1,35 bilhão apurado um ano antes. As despesas financeiras totalizaram R$ 4,92 bilhões, recuo de 3,2% na comparação anual, enquanto as receitas financeiras somaram R$ 3,53 bilhões, queda de 5,4%. A dívida financeira consolidada da MBRF somava R$ 72,7 bilhões ao fim de março, abaixo dos R$ 74,6 bilhões registrados no encerramento de 2025, considerando empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo. Já o caixa e aplicações financeiras totalizavam cerca de R$ 23,1 bilhões ao final do trimestre, ante R$ 25,3 bilhões no fim de dezembro. A companhia também reportou geração operacional de caixa de R$ 1,45 bilhão no trimestre, queda de 52,9% ante os R$ 3,08 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2025.

Segundo a empresa, o desempenho refletiu principalmente maior consumo de capital de giro, avanço dos estoques e investimentos na operação. A dívida líquida operacional gerencial aumentou 15,3% em um ano, para R$ 43,967 bilhões. Já a alavancagem em reais passou de 2,69 vezes para 3,37 vezes na comparação anual. O avanço das exportações de proteína animal e o fortalecimento da atuação no Oriente Médio foram os principais vetores do desempenho da MBRF no primeiro trimestre de 2026. Segundo a empresa, março marcou recorde de exportações diretas de aves e suínos. O desempenho foi favorecido pela retomada dos embarques de aves para a União Europeia e pela volta das exportações de frango do Rio Grande do Sul para a China. "A crescente demanda global por proteínas impulsionou a empresa em seus segmentos de atuação, com destaque para nossas exportações”, afirmou Miguel Gularte. No Oriente Médio, a companhia ampliou em 12 pontos porcentuais sua participação nas exportações para os países do Golfo entre fevereiro e março.

A Sadia Halal encerrou o trimestre com margem Ebitda ajustada recorde de 15,6%. "Com presença consolidada no Oriente Médio e apoiada pelo forte relacionamento com parceiros locais, distribuição própria e consistência do sistema produtivo e logístico, a MBRF continuou garantindo a segurança alimentar da região”, relatou a companhia. A operação da BRF registrou receita líquida de R$ 15,1 bilhões no trimestre, avanço anual de 8,4%, enquanto o Ebitda somou R$ 2,5 bilhões, com margem de 16,6%, recuo de 120 pontos-base ante o primeiro trimestre de 2025. Já a operação da National Beef, nos Estados Unidos, continuou enfrentando pressão do ciclo pecuário norte-americano, marcado pela menor oferta de gado. Ainda assim, a receita avançou 6,9% na comparação anual, alcançando US$ 3,5 bilhões. O Ebitda da operação ficou em US$ 10 milhões, com margem de 0,3%, ante margem de 1,5% um ano antes. "Apesar da menor oferta de gado por conta do ciclo produtivo, a demanda aquecida por carne bovina nos permitiu uma evolução consistente da receita”, afirmou Gularte.

Na América do Sul, a companhia reportou receita líquida de R$ 6,6 bilhões, crescimento de 23,1% na comparação anual, enquanto o Ebitda avançou 34,9%, para R$ 730 milhões. A margem Ebitda da operação subiu para 11%, alta de 100 pontos-base em relação ao primeiro trimestre de 2025, impulsionada por ganhos de produtividade, maior ocupação das plantas industriais e avanço dos produtos de maior valor agregado. O chairman da companhia, Marcos Molina, afirmou que os resultados reforçam o avanço da integração da plataforma global da empresa. "Estamos evoluindo na integração dos negócios, fortalecendo nossa plataforma global multiproteína e ampliando nossa presença em mercados relevantes e dinâmicos para o consumo de alimentos no mundo”, disse. O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da MBRF, José Ignacio Scoseria, afirmou que a companhia segue vendo um cenário equilibrado para o mercado global de frango em 2026, mesmo diante da expectativa de crescimento da produção mundial.

Segundo ele, a combinação entre expansão moderada da oferta, dificuldades de produtividade e forte demanda internacional deve evitar desequilíbrios no setor. Na avaliação do executivo, o crescimento da oferta deve permanecer limitado ao intervalo projetado pelo mercado, próximo de 2%, enquanto a demanda externa segue aquecida. Segundo ele, as exportações globais de frango avançaram 5% no primeiro trimestre na comparação anual. "Os dados de exportação são muito fortes. Isso, combinado com a tendência de preços que estamos vendo, nos deixa convictos de que não deve haver desequilíbrio entre oferta e demanda de frango”, afirmou. Ele citou estimativas de diferentes instituições que sustentam a visão da MBRF. "O USDA está estimando 2% de crescimento da produção global de frango em 2026. Outras estimativas falam em até 2,5%, mas todas estão nesse nível”, afirmou o executivo durante teleconferência com analistas.

Scoseria destacou que, no Brasil, estimativas apontam crescimento de 2,7% na produção no primeiro trimestre frente a igual período de 2025. Porém, na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve queda de 2,7% no alojamento de aves, indicando desaceleração mais recente da oferta. O executivo também comentou a revisão promovida pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) no número de matrizes no País, de 65 milhões para 63 milhões de cabeças em 2025. Apesar do avanço de 4% ante 2024, parte dessas aves é mais velha e apresenta desempenho inferior. "Ainda existem matrizes mais velhas que serão substituídas e com indicadores técnicos abaixo da média”, afirmou. “Estamos vendo números de produtividade mais fracos", completou. A guerra no Oriente Médio impulsionou os resultados da plataforma halal da MBRF no primeiro trimestre de 2026, em meio à alta da demanda por alimentos e à capacidade da companhia de manter o abastecimento da região sem interrupções, segundo executivos da empresa.

O vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da MBRF, José Ignacio Scoseria, afirmou que a plataforma halal registrou margem Ebitda de 15,6% no primeiro trimestre de 2026, acima do patamar próximo de 10% observado no ano passado. "Os impactos em termos de preços e resultado na rentabilidade foram quase 50% maiores que nos trimestres anteriores", afirmou Scoseria em entrevista coletiva. Segundo ele, o trimestre ainda refletiu apenas um mês dos efeitos do conflito. "A situação continua muito favorável", acrescentou. O CEO da MBRF, Miguel Gularte, afirmou que a empresa conseguiu manter o fluxo de exportações mesmo após o bloqueio do Estreito de Ormuz, ao redirecionar embarques para portos alternativos e utilizar sua estrutura logística terrestre na região. "Quando a guerra eclode no dia 28 de fevereiro, nós não paramos os nossos embarques. Nós seguimos os nossos embarques de forma normal e fluida", afirmou.

Gularte acrescentou que o cenário de guerra elevou a procura por alimentos na região e favoreceu a dinâmica de preços. "Sempre que tem uma situação de conflito, a população corre para se abastecer de comida e de água. E nós estávamos com o produto disponível”, disse. Segundo ele, a demanda segue aquecida e as operações continuam fluindo normalmente. "A demanda segue ocorrendo, as entregas seguem ocorrendo, os produtos seguem chegando aos clientes”, afirmou. Segundo Gularte, a presença histórica da companhia no Oriente Médio foi determinante para evitar rupturas de abastecimento. "Desde 1973 estamos nessa região. Nós temos um sistema muito robusto, tanto de percepção da nossa marca, como de todo o nosso processo de distribuição”, disse. Após a chegada das cargas em portos alternativos, a empresa utilizou sua rede de distribuição para alcançar clientes em diferentes países da região. "Nós conseguimos, por via terrestre, através dos nossos próprios canais, chegar em todos os clientes no Oriente Médio, sem nenhuma ruptura”, afirmou.

O executivo também destacou que a companhia reforçou sua estratégia de estoques após o episódio da doença de Newcastle no Brasil em 2024, priorizando a manutenção de produtos nos mercados de destino. Segundo ele, isso ajudou a evitar impactos operacionais durante o conflito. A menor oferta de gado e os preços recordes da arroba nos Estados Unidos continuam pressionando as margens da indústria de carne bovina no país, afirmou o CEO da National Beef, controlada pela MBRF, Tim Klein. Segundo o executivo, a companhia conseguiu encerrar o primeiro trimestre com margem Ebitda positiva, mesmo diante de um cenário desafiador para o setor. "O primeiro trimestre foi um trimestre difícil, mas conseguimos uma pequena margem Ebitda positiva", afirmou Klein, em entrevista coletiva, ao comentar a margem de 0,3% reportada pela operação de carne bovina da América do Norte. De acordo com ele, o principal desafio segue sendo a dificuldade de repassar integralmente o custo elevado do gado para os preços da carne.

"O preço do gado é recorde. O valor da carne no atacado não conseguiu acompanhar", disse. "A demanda por carne está alta, mas não o suficiente para melhorar muito a nossa margem de lucro", completou. Klein afirmou que a National Beef conseguiu atravessar o período com vantagens operacionais em relação a concorrentes. Segundo ele, a companhia não foi afetada por greves e paralisações vistas no setor no primeiro trimestre. Sobre o ciclo pecuário norte-americano, Klein disse que a recuperação do rebanho segue lenta e ainda sem sinais relevantes de recomposição. "Há um sinal de retenção de fêmeas em um nível menor. Mas nada muito significativo", afirmou. Uma eventual reabertura do mercado chinês para plantas dos Estados Unidos poderia elevar os preços e beneficiar o setor. "Se o mercado for aberto para nós, isso pode ter um impacto nos valores da carne", disse.

Miguel Gularte afirmou que o preenchimento da cota brasileira de exportação de carne bovina para a China não deve gerar impactos relevantes para a companhia, diante da forte demanda global pela proteína e da capacidade de redirecionar embarques por meio das operações no Uruguai e na Argentina. Segundo ele, a empresa possui posição estratégica nos dois países para continuar atendendo clientes chineses mesmo após o esgotamento da cota brasileira. "Nós temos operação no Uruguai e na Argentina. Temos condições de atender de forma muito efetiva nossos clientes”, afirmou, em entrevista coletiva. Gularte destacou que a companhia lidera o mercado de abates no Uruguai, com participação superior a 28%, além de manter operação relevante na Argentina. "Terminada a cota brasileira, em junho, continuaremos com a nossa produção do Uruguai. E nós temos uma operação relevante também na Argentina”, disse. O executivo também ressaltou a demanda aquecida dos Estados Unidos por proteína bovina sul-americana e apontou vantagens comerciais da companhia na região.

"A carne da MBRF na América do Sul transita nos canais comerciais da National Beef. Isso também é uma vantagem que temos, inclusive para usar todo o ecossistema comercial americano para colocar nossa carne sul-americana”, afirmou. O executivo também relativizou os efeitos de uma eventual redução das compras chinesas sobre o mercado brasileiro de boi gordo. Segundo ele, a expectativa de queda de 3% a 4% no volume de abates no Brasil em 2026 tende a compensar boa parte da redução nas exportações. Na avaliação de Gularte, a menor oferta de animais no País pode equilibrar o mercado mesmo com a redução da demanda do país asiático. "A produção menor do Brasil vai praticamente compensar a diminuição de compra da China”, disse. Gularte, afirmou que a companhia vê condições para sustentar resultados robustos ao longo de 2026, apoiada pela expansão das exportações, ganhos operacionais acumulados nos últimos anos e um cenário de equilíbrio entre oferta e demanda global de proteínas. Gularte disse que a companhia está "muito animada" para os próximos trimestres e avaliou que "2026 tem todos os sinais para ser um ano que supere 2025".

Segundo ele, o desempenho da operação internacional, especialmente na operação de produtos halal, surpreendeu positivamente no primeiro trimestre. "A exportação brilhou no primeiro trimestre", afirmou o executivo em teleconferência de resultados, destacando que o mercado internacional reagiu "até melhor do que se supunha, com uma velocidade maior do que se esperava”. Gularte disse que a companhia iniciou 2026 prevendo uma recuperação dos preços de exportação, sobretudo no Oriente Médio, movimento que acabou sendo intensificado pelo conflito na região. "Nós tínhamos preparado o cenário de preço de exportação em ascensão. Por isso, nós direcionamos a nossa produção para esses destinos”, afirmou. O executivo ressaltou que a empresa colhe agora os frutos de um ciclo de anos de investimentos em eficiência operacional e expansão comercial. Segundo ele, a BRF acumulou quase 200 novas habilitações até 2025 e já adicionou novas autorizações de exportação em 2026, ampliando o acesso a mercados internacionais.

"A empresa se encontra preparada para colher os frutos do que plantou, tanto em eficiência como nas habilitações”, disse. Na avaliação do CEO, o cenário global de proteínas permanece favorável, com oferta e demanda em "perfeito equilíbrio". Ele afirmou que os temores sobre excesso de alojamento no fim de 2025 não se confirmaram. “O que se falava de alojamento veio para o nível que nós entendíamos que seria um nível adequado do ponto de vista de demanda e de oferta”, comentou. Gularte afirmou ainda que todos os mercados e proteínas operam com preços superiores aos registrados no mesmo período de 2025. "Os quatro primeiros meses de 2026 apresentam subida de preço relevante em comparação ao mesmo período do ano passado”, disse. A MBRF avalia que o mercado doméstico brasileiro deve ganhar tração ao longo de 2026, após um primeiro trimestre marcado pela prioridade em exportações com o cenário internacional aquecido. Segundo o CEO da companhia, a estratégia da empresa previa uma retomada gradual do consumo interno ao longo do ano.

"Nós tínhamos planejado um ano em que direcionaríamos os esforços no primeiro momento no mercado externo, que está extremamente aquecido”, afirmou. Segundo ele, a companhia já observou melhora sequencial nas vendas domésticas ao longo do trimestre. Fevereiro foi melhor do que janeiro, março foi melhor do que fevereiro e assim por diante" completou, durante teleconferência de resultados. Gularte afirmou que a companhia vê um ambiente favorável para o consumo em 2026, citando fatores como a ampliação da renda disponível, a realização da Copa do Mundo e o fortalecimento das marcas e inovações da empresa. "Nós vemos um ano bastante bom, com as vendas em processo de crescimento", disse. "Estamos muito animados com o mercado interno", acrescentou. O executivo também destacou o avanço da integração operacional da plataforma multiproteína da companhia, que reúne aves, suínos e bovinos. Segundo ele, a unificação comercial iniciada no fim de 2025 deve atingir sua plenitude neste ano. "Nós vamos ter os nossos vendedores chegando ao ponto de venda com as três proteínas”, afirmou. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.