14/May/2026
Segundo análise da Federação Americana do Gabinete Agrícola (AFBF), a possível suspensão temporária das cotas quantitativas de importação de carne bovina pelos Estados Unidos poderá reduzir os incentivos para recomposição do rebanho bovino norte-americano no longo prazo. A medida está em avaliação pelo governo Donald Trump e prevê suspensão, por 200 dias, dos limites do sistema de quotas tarifárias (TRQ), permitindo que parceiros comerciais ampliem os embarques com tarifas reduzidas. A flexibilização ocorre em um momento de importações recordes de carne bovina pelos Estados Unidos. No primeiro trimestre de 2026, o país importou 562 mil toneladas, volume 18% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e 122% acima do observado há cinco anos.
Atualmente, os embarques fora da cota tarifária são taxados em 26,4%, enquanto os volumes dentro do limite estabelecido pagam apenas US$ 0,44 por quilo. O grupo denominado “Outros Países”, que inclui Brasil e Nicarágua, embarcou cerca de 153 mil toneladas no primeiro trimestre, acima do ritmo trimestral aproximado de 13 mil toneladas previsto na cota compartilhada. Embora a proposta tenha como objetivo reduzir a pressão inflacionária sobre os preços da carne bovina ao consumidor norte-americano, a avaliação do setor é de que a medida não resolve os problemas estruturais enfrentados pela produção pecuária dos Estados Unidos. A pecuária norte-americana enfrenta restrição de oferta em meio ao menor rebanho bovino em várias décadas, consequência de secas persistentes que afetam importantes regiões produtoras.
Dados citados pela AFBF mostram que aproximadamente 79% do plantel de vacas de corte nos 26 principais Estados produtores dos Estados Unidos sofre impacto de condições climáticas adversas, elevando os custos com alimentação e abastecimento de água. Segundo a entidade, ampliar o acesso de carne importada ao mercado norte-americano em um ambiente de escassez pode sinalizar aos pecuaristas que a futura demanda será suprida por importações, reduzindo estímulos para retenção de novilhas e reconstrução do rebanho doméstico. A análise também aponta que grande parte da carne bovina importada pelos Estados Unidos é composta por proteína magra destinada à moagem, o que limita os efeitos sobre os preços de cortes premium, como bifes e assados.
Ainda, a JBS avalia que a eventual reabertura da fronteira do México para entrada de gado de engorda nos Estados Unidos poderá ser o principal fator de normalização da oferta bovina no mercado norte-americano no curto prazo. A percepção é de isso deve acontecer no curto prazo, aliviando um pouco a oferta nos Estados Unidos. A reabertura dependerá da avaliação das autoridades norte-americanas sobre as condições sanitárias no México. Quando houver segurança por parte do governo norte-americano, esse será o evento mais importante para a normalização da oferta nesse setor no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.