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14/May/2026

Boi: JBS divulga resultados do 1º trimestre/2026

A JBS registrou lucro líquido de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 56% ante igual período do ano passado. A receita líquida somou US$ 21,61 bilhões, alta de 11% na comparação anual. Já o Ebitda ajustado caiu 25,8%, para US$ 1,13 bilhão, enquanto a margem recuou de 7,8% para 5,2%, recuo de 2,6%. O lucro por ação caiu de US$ 0,47 para US$ 0,21 no período. O lucro operacional ajustado recuou 48%, para US$ 516 milhões. A companhia atribuiu a pressão sobre os resultados principalmente ao ciclo pecuário nos Estados Unidos, que elevou o custo do gado em um ambiente de oferta restrita. "O trimestre foi particularmente pressionado pela operação de carne bovina nos Estados Unidos”, afirmou o CEO global da companhia, Gilberto Tomazoni. Segundo ele, a companhia adotou uma postura de austeridade para reforçar a geração de caixa e preservar eficiência operacional.

A companhia destacou que a pressão sobre os resultados veio principalmente da operação de bovinos nos Estados Unidos, afetada pelo ciclo pecuário no país. Ainda assim, a receita da operação cresceu 11,6%, para US$ 7,17 bilhões. As demais unidades de negócios também registraram avanço de receita. A alta também ocorreu nas demais unidades de negócios. A Seara registrou receita líquida de US$ 2,38 bilhões no trimestre, alta de 10,6%, enquanto a margem Ebitda ficou em 15,5%. Já a JBS Brasil teve receita recorde para um primeiro trimestre, de US$ 3,79 bilhões, avanço de 19,5%, sustentada pela demanda internacional aquecida. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 1,47 bilhão no trimestre, ante consumo de US$ 917,5 milhões em igual período do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado reflete a sazonalidade do primeiro trimestre, maior necessidade de capital de giro e aumento dos investimentos.

Os desembolsos com investimentos cresceram para US$ 566 milhões, mais que o dobro do registrado um ano antes. O CFO global da JBS, Guilherme Cavalcanti, afirmou que o maior consumo de caixa no trimestre também refletiu o aumento de mais de US$ 300 milhões em investimentos de crescimento na comparação anual. Segundo ele, houve ainda impacto maior da postergação de pagamentos de gado e suínos de dezembro para janeiro. A alavancagem encerrou março em 2,77 vezes dívida líquida/Ebitda, acima da 1,99 vez observada um ano antes, mas ainda dentro da meta de longo prazo da companhia. A dívida líquida totalizou US$ 17,86 bilhões ao fim do trimestre. A JBS espera encerrar 2026 com alavancagem dentro da faixa considerada ideal pela companhia, entre duas e três vezes, afirmou o CFO global da empresa, Guilherme Cavalcanti.

Segundo o executivo, a companhia projeta geração de fluxo de caixa entre US$ 5,7 bilhões e US$ 6 bilhões neste ano. "Esperamos encerrar o ano com a alavancagem entre duas e três vezes”, afirmou. A companhia encerrou o primeiro trimestre com alavancagem de 2,77 vezes, próxima da meta de longo prazo estabelecida pela empresa. Cavalcanti destacou que a JBS monitora o nível de alavancagem como principal variável para decisões de alocação de capital, incluindo dividendos e investimentos. "Capex e dividendos sempre vão estar de acordo com a nossa alavancagem, que é a nossa maior variável para alocação”, disse. O executivo lembrou que a companhia já operou com níveis mais elevados de endividamento no passado, chegando a 4,84 vezes em 2023, mas reduziu a relação para 1,89 vez em 2024 "sem quaisquer esforços", impulsionada pela melhora operacional e pela geração de caixa. Segundo Cavalcanti, a companhia mantém flexibilidade financeira para enfrentar eventuais pressões adicionais de caixa.

Entre as alternativas disponíveis estão o aumento do desconto de recebíveis e a ampliação de mecanismos de financiamento junto a fornecedores. "Temos espaço para isso, mas tudo isso gera algum custo. Só vamos utilizar esses instrumentos se necessário”, afirmou. O CFO também reiterou a manutenção do plano de investimentos da companhia, que prevê cerca de US$ 2,4 bilhões em Capex em 2026, sendo aproximadamente US$ 1,3 bilhão voltado à expansão. Segundo ele, a empresa acredita ser possível sustentar simultaneamente crescimento, investimentos e distribuição de dividendos, desde que permaneça dentro da faixa de alavancagem considerada adequada. A JBS registrou desempenhos distintos entre suas operações no primeiro trimestre de 2026, com agravamento das perdas na divisão de bovinos nos Estados Unidos e resultados mais fortes nas unidades brasileiras.

Na operação de bovinos na América do Norte, o Ebitda ajustado ficou negativo em US$ 230 milhões no trimestre, mais que o dobro da perda de US$ 113 milhões registrada um ano antes. A margem ficou negativa em 3,2%, pressionada pela continuidade do ciclo pecuário nos Estados Unidos e pela baixa oferta de animais. A companhia afirmou que o negócio enfrentou uma combinação de menor disponibilidade de gado, aumento dos custos de compra dos animais e restrições às importações de bovinos do México, o que limitou ainda mais a oferta no mercado norte-americano. A JBS também informou ter promovido ajustes operacionais e organizacionais na plataforma de bovinos nos Estados Unidos para aumentar eficiência e capturar sinergias. Por outro lado, a operação brasileira foi um dos destaques positivos do trimestre. A JBS Brasil registrou receita recorde de US$ 3,79 bilhões para um primeiro trimestre, alta de 19,5% na comparação anual, enquanto o Ebitda ajustado avançou 27,9%, para US$ 168 milhões. A margem subiu de 4,1% para 4,4%.

Segundo a companhia, o desempenho foi sustentado pela forte demanda internacional, expansão geográfica das exportações e maiores preços. No mercado doméstico, a Friboi manteve foco em produtos de maior valor agregado e ampliação de parcerias comerciais. Ainda assim, a rentabilidade foi parcialmente pressionada pela alta de 6% no preço médio do boi gordo no Brasil ante o primeiro trimestre de 2025. A Seara também voltou a apresentar margens elevadas. A unidade teve receita líquida de US$ 2,38 bilhões, crescimento de 10,6%, enquanto o Ebitda ajustado caiu 13,3%, para US$ 369 milhões. A margem, porém, permaneceu robusta em 15,5%. A companhia destacou que a Seara manteve crescimento tanto em volumes quanto em preços nas exportações, mesmo diante de um ambiente mais desafiador em mercados relevantes, afetados pelo conflito no Oriente Médio. No mercado interno, a estratégia seguiu focada na expansão do portfólio de produtos de maior valor agregado e no fortalecimento da marca.

Na Pilgrim’s Pride, a receita líquida avançou 1,6%, para US$ 4,53 bilhões, mas o Ebitda ajustado caiu 31,9%, para US$ 450 milhões, com margem de 9,9%. A empresa citou eventos climáticos extremos e paralisações programadas de plantas para modernização operacional como fatores que pressionaram o resultado. A divisão de suínos nos Estados Unidos foi outro destaque positivo. A JBS USA Pork registrou receita recorde para um primeiro trimestre, em US$ 2,03 bilhões, com Ebitda ajustado de US$ 274 milhões, alta de 10,8%, e margem de 13,5%. Segundo a companhia, o desempenho reflete demanda consistente por proteínas mais acessíveis e expansão do portfólio de produtos de maior valor agregado. Já a operação na Austrália teve receita líquida de US$ 2,15 bilhões, avanço de 32,3%, mas o Ebitda ajustado caiu 17,2%, para US$ 133 milhões, pressionado pela valorização do dólar norte-americano frente à moeda australiana e pelo aumento dos custos do gado.

Ainda, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que a companhia vê tendência de alta nos custos de grãos, diante das incertezas climáticas globais e da volatilidade do mercado agrícola. Apesar disso, o executivo destacou que a empresa está preparada para administrar riscos relacionados a eventuais altas nos preços. "Apesar de os estoques globais estarem em um nível confortável, há uma volatilidade significativa no mercado”, afirmou Tomazoni. Segundo ele, as incertezas climáticas e os efeitos da alta dos fertilizantes seguem no radar da companhia. O executivo destacou que a demanda global por milho continua forte, mesmo diante das recentes pressões nos preços dos grãos. "Eu creio que a tendência seja um aumento do custo. Isso por conta do clima e dos efeitos dos fertilizantes”, disse. Tomazoni ressaltou, contudo, que a JBS está bem-posicionada para enfrentar potenciais oscilações no mercado agrícola. Ele acrescentou que a companhia também se preparou para eventuais impactos sobre a safra brasileira. "Nós estamos bem preparados para qualquer tipo de potencial volatilidade que as safras do Brasil possam sofrer”, disse. Fonte: Broadcast Agro.