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14/May/2026

Lácteos: setor nacional cobra freio às importações

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite-RS) encaminhou ofício ao governo federal solicitando medidas emergenciais para conter o avanço das importações de lácteos e ampliar o diálogo com a cadeia produtiva. O documento foi enviado ao Ministério da Agricultura, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O setor demonstra preocupação com o crescimento das importações de produtos lácteos provenientes dos países do Mercosul, principalmente Argentina e Uruguai. Entre as reivindicações apresentadas estão medidas voltadas à redução dos custos de produção no Brasil, fortalecimento da sanidade dos rebanhos e aumento da competitividade da cadeia leiteira nacional.

Segundo o Conseleite-RS, a prioridade inicial é ampliar o diálogo entre o governo federal e as entidades representativas do setor. A entidade avalia que o País enfrenta redução contínua no número de produtores e fechamento de propriedades rurais, cenário identificado em levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Emater-RS. O conselho considera que as políticas anunciadas até o momento não foram suficientes para conter a crise enfrentada pelo segmento. A entidade defende a adoção de mecanismos de proteção comercial, incluindo análise de salvaguardas contra o avanço das importações. No documento, o Conseleite-RS destaca que o Brasil figura entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros. Conforme dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de 1 milhão de propriedades rurais, com forte participação da agricultura familiar.

A entidade argumenta que o aumento das importações de leite em pó, queijo e outros derivados vem pressionando produtores, cooperativas e indústrias brasileiras. Segundo o conselho, os produtos importados chegam ao mercado brasileiro com preços inferiores ao custo médio de produção nacional, provocando desequilíbrio concorrencial. O setor também aponta diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e regulatórias entre o Brasil e os países vizinhos. De janeiro a abril de 2026, o Brasil importou cerca de 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo. Esse volume corresponde a aproximadamente 709 milhões de litros de leite, equivalentes a 11 dias da produção nacional e a cerca de 60 dias da produção do Rio Grande do Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.