12/May/2026
O Itaú BBA avaliou que o mercado do boi gordo segue sustentado por fundamentos positivos, como a oferta mais restrita de vacas e novilhas, a firmeza do mercado físico e o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina. Apesar disso, o banco alertou que o cenário para os próximos meses exige maior cautela diante da elevação do custo de reposição, da sazonalidade da oferta e das incertezas ligadas à demanda da China. A combinação entre mercado físico firme, menor disponibilidade de fêmeas para abate e diversificação das exportações continua sustentando os preços da arroba. Entretanto, o banco destaca que o avanço dos preços da reposição e o comportamento da demanda chinesa devem permanecer no radar dos pecuaristas. A demanda chinesa por carne bovina brasileira seguirá aquecida no curto prazo.
Mantido o ritmo médio de crescimento de 19% dos embarques observado até abril, a cota chinesa de importação poderá ser totalmente preenchida por volta de agosto. Apesar disso, os frigoríficos costumam programar compras com antecedência, o que pode reduzir o interesse pelos bovinos padrão China antes do esgotamento efetivo da cota. A demanda por esse perfil de bovino tende a perder intensidade antes desse período, sugerindo cautela para produtores com vendas programadas ao longo do intervalo. A curva futura do boi gordo na B3 projeta preços entre R$ 337,00 e R$ 338,00 por arroba entre junho e agosto, considerando os ajustes da última sexta-feira. Após esse período, o mercado futuro indica retomada de alta, movimento que o banco relaciona à possível recomposição da demanda dos frigoríficos voltada à cota chinesa de 2027.
Embora os abates devam permanecer abaixo dos níveis registrados em 2025 nos próximos meses devido à menor oferta de fêmeas, o período de encerramento da safra normalmente amplia a disponibilidade de bovinos antes da seca. Esse aumento sazonal da oferta pode coincidir com eventual redução da demanda por boi padrão China caso não haja flexibilização da cota chinesa. Mesmo com a recente acomodação das cotações futuras, a operação de confinamento continua rentável. Foi reforçada a recomendação de hedge da boiada diante do atual equilíbrio de riscos do mercado. Abril apresentou desempenho positivo para o mercado do boi gordo, apesar da perda de ritmo na segunda metade do mês. O preço médio do boi gordo em São Paulo avançou 3,7% no período, elevando a média mensal para R$ 363,00 por arroba, valor 15% superior ao registrado em abril de 2025. Na segunda quinzena, porém, as escalas de abate ganharam maior conforto e o mercado passou a apresentar acomodação, movimento que avançou para o início de maio.
O boi gordo está cotado agora a R$ 353,00 por arroba, retornando ao patamar observado no fim de março. Enquanto isso, o bezerro manteve trajetória de valorização. Entre o início de abril até o momento, o bezerro acumula alta de 3,7%, sendo negociado a R$ 3.425,00 por cabeça. A relação de troca permanece pressionada em 2,16 bezerros por boi gordo vendido, nível 3,2% inferior ao observado em abril do ano passado. Nas exportações, abril registrou recorde para o mês. Os embarques brasileiros de carne bovina in natura totalizaram 252 mil toneladas, avanço de 4,4% frente a abril de 2025. No acumulado do primeiro quadrimestre, o crescimento alcançou 15%. A China respondeu por 135 mil toneladas embarcadas em abril, volume 26% superior ao registrado um ano antes. Entre janeiro e abril, os embarques ao mercado chinês somaram 460 mil toneladas, alta de 19% na comparação anual. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.